Uso do Colágeno tipo 2 deve ser racional, apesar de ser alternativa para tratamentos!

O termo condropatia refere-se a doenças da nossa cartilagem articular. Pode ocorrer tanto por micro-traumas de repetição, principalmente quando o indivíduo pratica atividades físicas acima de seus limites fisiológicos e, no outro extremo, em pessoas sedentárias justamente pela falta de uso das articulações, principalmente em pessoas acima do peso.

Independente da causa, a ciência tem mostrado, cada vez mais, que a degradação da cartilagem está intimamente ligada a reação inflamatória crônica e existe forte fator hereditário.

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Este processo de destruição do tecido cartilaginoso de caráter lento e progressivo é chamado de sinovite artrítica e pode apresentar-se em estágios iniciais em doenças como a condromalacia patelar e em estágios finais como artrose.

Apesar da degradação da cartilagem fazer parte de nosso processo de envelhecimento, estudos realizados nas duas últimas décadas mostram que algumas pessoas, principalmente aquelas que já sofreram algum trauma ou alguma cirurgia no joelho, tendem a ter a velocidade dessa degradação acelerada, podendo levar à chamada artrose precoce em pessoas jovens.

Na tentativa de frear ou alterar a evolução da doença cartilaginosa, inúmeros procedimentos e terapias foram desenvolvidos, dentre eles os medicamentos enquadrados de modificadores de doença. Em tese, estas medicações tomadas tanto por via oral ou injetável (como o ácido hialurônico) atuariam na cascata inflamatória das condropatias e alterariam sua evolução.

Mas, será que elas funcionam?

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Uma das primeiras medicações a ser lançado no mercado foi associação da glicosamina e condroitina. Houve uma euforia inicial muito grande sobre seu possível pode regenerativo, especialmente em quem pratica esporte. A partir daí, diversas associações foram criadas. No entanto, estudos publicados nos últimos cinco anos, inclusive na Revista Brasileira de Ortopedia (RBO), com o chamado nível 1 de evidência e isentos de patrocínio da indústria farmacêutica, mostraram que seu efeito seria igual ao placebo.

Recentemente o colágeno não hidrolisado, conhecido como UCII, tem tornado-se popular. Apesar de ser relativamente novo em nosso meio, historicamente já era utilizado pelos povos do Egito antigo que cozinhavam e comiam os tendões dos animais, justamente acreditando melhoria de função articular e de pele. Considerado um suplemento alimentar (e não medicação), seu efeito estaria ligado no bloqueio da cascata inflamatória reduzindo a quantidade dos mediadores nocivos conhecidos como interleucinas 1 e 6 (IL-1 e IL-6).

O que a ciência diz?

Apesar de existirem pouquíssimos estudos sobre sua ação e ainda nenhum estudo de nível 1 de evidência, sua ação parece ser superior a qualquer outro modificador de doença previamente lançado.

Algumas publicações referem alívio de sintomas entre 30 a 40% quando comparados a quem faz uso de outras medicações.

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Hoje o posicionamento da Sociedade Internacional de Estudo da Cartilagem (OARSI) e da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos é de que, tanto o colágeno quanto qualquer outra medicação modificadora de doença seja descontinuado caso não haja alivio de sintomas após 6 meses de uso.

Todas essas entidades são unânimes em dizer que nenhuma dessas medicações deve ser utilizada como monoterapia , ou seja, deve sempre ser associada a um bom trabalho de reabilitação, fortalecimento muscular, melhor planejamento esportivo e mudanças de hábitos de vida.

Enfim, o uso do colágeno parece ser uma alternativa interessante no rol de tratamento das doenças da cartilagem articular. Estudos futuros mostrarão com maior clareza sobre seu mecanismo de ação.

Até lá, seu uso deve ser racional!

Fonte: Eu Atleta



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