Uso de Máscara induz criação de Anticorpos contra Covid-19!

Seja de tecido ou descartável, a máscara se tornou item essencial nos últimos meses como parte da proteção contra a infecção pelo novo coronavírus. Em nota publicada na última semana na revista científica The New England Journal of Medicine, pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, sugerem que ela também contribui para a produção de anticorpos contra a Covid-19.

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A ideia, segundo defendem os autores, é que as máscaras amplamente usadas pela população diminuem em muito, mas não impedem totalmente, a passagem das gotículas de saliva ou partículas aerossóis que podem transmitir o vírus.

Com isso, uma fração pequena de partículas virais passaria pelo equipamento e seria transmitida a outras pessoas, mas com carga viral mais baixa. Essa baixa carga viral não levaria a formas mais severas da Covid-19, mas seria o suficiente para induzir uma resposta imune no organismo.

O fenômeno já é conhecido da medicina e foi o precursor das vacinas: a variolação, processo de imunização utilizando material retirado de um paciente - à época, raspagem de uma vesícula de varíola- e inoculando-o em outro para garantir a resposta imune, mas sem provocar infecção.

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Os cientistas argumentam que o uso de máscaras em toda a população elevaria a taxa de assintomáticos, uma vez que as pessoas conseguem se proteger parcialmente de uma quantidade elevada do vírus - alguns estudos apontam que a quantidade de vírus inoculado pode estar relacionada ao grau de severidade da doença.

Além disso, estudos comprovaram a eficácia do uso de máscaras tanto para prevenção por pessoas não contaminadas quanto no bloqueio da transmissão por pessoas infectadas com o vírus.

Para Raquel Stucchi, professora da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, a teoria levantada pelos cientistas é muito interessante e reforça a importância do uso de máscaras por todo mundo e em todos os lugares, principalmente no momento de retomada às atividades.

“Supondo que hoje eu esteja contaminada, mas não sei, porque não tenho sintomas ou só vou desenvolver os sintomas em alguns dias, a máscara vai conseguir conter uma parcela razoável do Sars-CoV-2 para não transmitir ao outro, mas ainda assim suficiente para gerar uma resposta imune.”

As máscaras mais eficazes para bloquear a transmissão são as cirúrgicas. As máscaras caseiras com duas camadas de tecido, no entanto, conseguem limitar a transmissão das partículas a uma distância menor quando uma pessoa espirra ou tosse.

“Qualquer máscara é melhor do que nenhuma máscara. As máscaras cirúrgicas devem ser reservadas aos profissionais de saúde para não faltar, mas a máscara caseira pode me proteger e ainda proteger os outros”, diz Stucchi.

Ainda é incerto por quanto tempo dura a imunidade para o Sars-CoV-2, mas a resposta imune gerada pelos linfócitos T parece ser mais permanente do que aquela produzida por anticorpos. Estudos das principais vacinas em testes contra a Covid-19 mostraram boas respostas imunes tanto de anticorpos quanto de células T.

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Os pesquisadores concluem ainda que para testar a hipótese de uma estratégia de proteção global pelo uso de máscaras é necessário um estudo sobre taxa de assintomáticos diante do uso ou não das máscaras.

Os pesquisadores da universidade norte-americana lembram que os países onde a população adotou o uso da máscara se saíram melhor em termos de taxas de doenças graves relacionadas à Covid-19 e às mortes. Ou seja, em ambientes com testes limitados, pode haver uma mudança no padrão das infecções de sintomáticas para assintomáticas.

Como exemplo, os cientistas lembram do caso do cruzeiro argentino fechado após a identificação de pacientes com a Covid-19. Todos os presentes na embarcação receberam máscaras cirúrgicas do modelo N95. Ao passar por testes, observou-se que a taxa de infecção assintomática ficou em 81%, valor muito maior do que os 20% observados em surtos anteriores nos quais muitos passageiros apresentaram sintomas.

Fonte: Metropoles

Jornal de Brasília



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