Seu filho não será pequeno se fizer ginástica, nem crescerá se jogar vôlei!

Todo esporte tende a ter um biotipo padrão. Quase sempre, maratonistas são magros, jogadores de vôlei são altos, velocistas são fortes, ginastas são pequenos…

E, quando pensamos em incluir nossos filhos em uma atividade física, logo vem a pergunta: “Será que esse exercício vai comprometer ou ajudar no crescimento da criança?”.

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Se você parar para pensar, essa é uma teoria um tanto quanto Lamarkista. Explico: segundo o naturalista francês Jean-Baptiste de Lamarck e sua lei da transmissão dos caracteres adquiridos, devido ao esforço da girafa para comer as folhas das árvores mais altas, o pescoço do animal acabou crescendo.

Logo mais apareceu Charles Darwin com sua teoria da evolução pela seleção natural, que mostrou que os seres vivos são capazes de se adaptar aos ambientes onde habitam. Podemos incluir essa relação ao esporte, mas até certo ponto.

Nas crianças ou adolescentes o organismo está metabolicamente a mil, pronto para se desenvolver, com energia de sobra e células prontas para se diferenciarem. Então, devemos estimular esses pequenos seres em desenvolvimento a fazer exercícios.

Todo mundo já sabe que, para ter saúde, as crianças e os jovens adolescentes precisam se manter ativos por meio de jogos, esportes, recreação ou mesmo a educação física escolar, introduzidos como parte de sua rotina de forma regular e obrigatória. Seguindo essas orientações, a atividade física pode melhorar o funcionamento do indivíduo como um todo: controle do metabolismo, do colesterol, da pressão arterial, da composição corporal, do peso, da aptidão cardiorrespiratória, da estrutura óssea-músculo-esqueléticas e da saúde mental.

Mas e o crescimento? Será que ela é baixa porque faz ginástica olímpica? A prioridade por uma aparência alta e esbelta é uma condição física que, para alguns, tem sido reforçada desde a infância até a adolescência.

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Há um questionamento muito grande por pesquisadores sobre o efeito do exercício físico no crescimento de crianças e adolescentes.

Um estudo publicado pela Revista Brasileira de Medicina do Esporte comprova que ocorre a indução da produção e liberação de hormônio do crescimento (GH) pelo exercício. Porém, a intensidade do treinamento, se for muito alta, pode levar a redução da síntese de GH.

Sim, então podemos dizer que a atividade física ajuda ou atrapalha o crescimento. Aí, fica a dúvida: será que as ginastas profissionais são baixas por causa do exercício?

Não, na verdade, as melhores ginastas são grandes campeãs porque são baixas, pois isso ajuda no desempenho da atividade. Ou seja, as atletas que faziam o esporte quando crianças e cresceram simplesmente não conseguiram se destacar.

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Alguns estudos que comparam crianças ginastas com crianças que não praticam exercícios mostram que o treinamento desportivo não afeta o crescimento das crianças. Ou seja, o mais provável é que os atletas se destacam em certas modalidades, pois possuem um biotipo ideal para a modalidade, e não porque seu corpo se “adaptou” para se tornar bom naquela atividade.

Dentro de esportes de alto rendimento, parece haver uma “seleção natural”, em que os indivíduos com perfil genético favorável teriam sucesso devido a vantagem biomecânica para uma determinada modalidade, estreitando seus laços com a atividade.

Já os outros, que não têm o biotipo ideal, desistem da prática ou partem para outros esportes no qual sua genética seja mais favorável. Além da ginástica, podemos notar a prevalência genética em vários esportes, por exemplo:

  • Vôlei e basquete: indivíduos com alta estatura e grande envergadura;
  • Ballet: perfil longilíneo e formato côncavo dos pés.

O esporte é essencial para a saúde

Independentemente do biotipo da criança ou do adolescente, é fundamental estimulá-lo a praticar exercícios. Então, não importa se sua filha não tem um corpo de bailarina ou se seu filho está longe da estatura para ser um grande jogador de basquete. Se as crianças gostam dessas modalidades, você deve incentivá-las. Pense que o objetivo principal é a saúde e não que eles se tornem medalhistas olímpicos – se isso acontecer, ótimo.

De acordo com o Guia Canadense de Atividade Física Para Crianças (5-11 anos) e Adolescentes (12-17 anos), é recomendado:

  • 60 minutos de atividades semanais com intensidade mais alta (divididos em, pelo menos, três sessões);

  • 60 minutos de atividades semanais que fortalecem músculos e ossos (divididos em, pelo menos, três sessões).

Quanto mais atividades, melhor para a saúde mental e física da criança e do adolescente. Lembrando que os exercícios precisam ser supervisionadas e de acordo com o perfil de cada um. Em casos de doenças ou de crianças e jovens que estão inativos por muito tempo, o exercício com supervisão médica e orientado por um educador físico é extremamente importante.

Fonte: Paola Machado Uol



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