Quanto tempo dura a imunidade de quem pegou coronavírus?

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Chongqing, na China, identificou que os níveis de anticorpos em pessoas que foram infectadas pela Covid-19 diminuíram drasticamente depois de 3 meses.

Ao contrário do que se pensava, quem teve coronavírus não está completamente imune e pode se reinfectar. O estudo em questão, publicado na revista Nature Medicine, mostrou que os anticorpos adquiridos com a Covid-19 são perdidos após 90 dias de contaminação.

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Pesquisadores analisaram pacientes sintomáticos e assintomáticos durante 8 semanas após deixarem o hospital. Eles observaram uma queda acentuada nos anticorpos produzidos pela infecção do coronavírus.

Desses pacientes, 37 assintomáticos foram comparados com outros 37 que ficaram levemente doentes pelo coronavírus. Inicialmente, as pessoas infectadas tiveram respostas imunes semelhantes, mas depois de dois a três meses, 90% das pessoas em cada grupo tiveram uma redução significativa nos anticorpos.

De acordo com o infectologista Lauro Ferreira Pinto, segundo informações do A Gazeta, não há nada definitivo ainda sobre a questão da imunidade, mas as pesquisas apontam um dado relevante sobre ela. O estudo mostrou que 4 em 10 pacientes ficam sem anticorpos após o período da doença.

O estudo também apontou uma possível onda de reinfecções, principalmente nos países onde a pandemia começou. No entanto, não há nenhum caso de reinfecção documentada até o momento.

Reinfecção x Reativação

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Segundo Manuel Juan, chefe de imunologia do Hospital Clínic de Barcelona, os casos suspeitos de reinfecção indicaram apenas uma reativação do mesmo vírus que não tinha sido eliminado totalmente. Manuel parece ter uma visão mais “otimista” com relação a essa questão dos anticorpos, de acordo com as perguntas respondidas por ele, em uma reportagem para o El País.

Algumas afirmações de Manuel Juan estão ligadas às constatações levantadas pelo professor de medicina da Escola de Medicina David Geffen da UCLA, Otto Yang. Segundo ele, existem outras células imunológicas que nosso corpo cria quando um vírus ou germe reaparece, são as chamadas células T.

As células T são codificadas para reconhecer um patógeno pela segunda vez e, segundo as pesquisas, isso também acontece com a infecção por coronavírus. Ou seja, nem sempre os anticorpos são importantes para se combater uma doença, pois é a imunidade celular que oferece maior proteção.

Em contrapartida, essa também não é uma informação definitiva, uma vez que os pesquisadores precisam levar em conta condições genéticas que parecem estar relacionadas com a capacidade de recuperação de cada pessoa, segundo informou o Gizmodo Brasil.

Mantenha distância do vírus

A OMS revisou 20 artigos científicos e constatou que não há provas de que pessoas que se recuperaram da doença estejam totalmente imunes a uma nova infecção. Por isso, é imprescindível que as pessoas continuem mantendo as medidas de prevenção.

O alerta deste estudo é maior com relação às pessoas assintomáticas, pois pelo visto, fica claro que elas são as que mais perderam anticorpos adquiridos com a doença.

Além de não terem certeza se pessoas infectadas estão protegidas ou não, os pesquisadores também não sabem dizer quais serão os sintomas de quem passar por uma possível reinfecção.

Muitos que se curaram estão agindo como se não houvesse mais risco de transmitir ou contrair a doença, mas pelo que vimos nada é certo quando o assunto é o novo coronavírus.

Portanto, todo cuidado é pouco e mesmo que aparentemente esteja fora de perigo, ninguém deve se descuidar. Usar máscara, manter os cuidados com a higiene e o distanciamento social, continuam sendo as melhores medidas de prevenção contra a Covid-19.

Fonte: Green Me



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