Quanto Mais Baixo se Fala Mais as Crianças Ouvem!

A parentalidade está evoluindo. Tem aumentado o número de pais mais conscientes, que conseguem conjugar o seu dia-a-dia e a parentalidade de uma forma absolutamente singular. Que conseguem reservar um tempo para se repensar e para equilibrar a forma como estão educando seus filhos.

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Apesar destas conquistas, continuamos observando, quer em contexto familiar, quer em contexto escolar, que a maioria dos adultos opta por gritar com as crianças quando quer que elas realizem uma tarefa que não querem fazer. Ou quando simplesmente querem repreender as crianças. Aí, a opção mais fácil, e a que muitas vezes se recorre, é encher os pulmões de ar e gritar!

Os adultos pensam que essa maneira de agir, falando alto ou gritando, é inócuo para a criança. Que ela vai obedecer e isso não trará consequências para ela. Mas se fizermos o exercício de nos colocarmos no lugar da criança, conseguimos imaginar como esta se sente quando, lá do alto, sai um grito na sua direção!!!

Mais cedo ou mais tarde todos os pais vão acabar por soltar um grito na tentativa de conter alguma atitude da criança ou de a mobilizar para alguma ação. Até aí o problema não é dos piores, desde que os pais consigam fazer um exercício de tomar consciência e tentarem controlar numa próxima oportunidade esse grito.

Gritar não é educar

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O que nos preocupa é a facilidade com que, sob o pretexto de educar, se grita. Sempre que gritamos com uma criança, não estamos educando ou ensinando. Estamos sim, mostrando que não somos capazes de nos controlar e conversar tranquilamente e com respeito. Mostramos a ela que nós próprios estamos num estado de tensão que não conseguimos controlar.

Gerir emoções

Para que as crianças aprendam a gerir e a controlar as suas emoções é fundamental que os adultos de referência também sejam capazes de o fazer.

Gritar tem consequências para a criança. Habitualmente quando um adulto grita a criança fica com medo. Muitas vezes obedece com base no medo e não no respeito. A criança acaba por não aprender o que esta incorreto, e obedece apenas por “sobrevivência”.

Quando o grito vira norma, a criança começa a perceber que só precisa agir quando surge o grito. A criança compreende o funcionamento dos pais e de alguma forma adapta-se a ele. Só quando surge o grito lhe soam os alarmes de “agora tenho de obedecer”, acabando sempre por ‘exigir’ aos pais que gritem.

O grito consecutivo. Será que as crianças ouvem?

Quando uma criança tem na escola uma professora que grita, em casa uma família que grita, esta fica sobre um estresse contínuo que não faz mais do que aumentar a sua agitação e angústia. Mesmo que a criança já tenha se adaptado aos gritos, o grito faz com que se sinta ‘pequenina’.

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O grito consecutivo pode gerar o medo de errar e no limite fazê-la sentir-se humilhada. A longo prazo, isto contamina o seu pleno desenvolvimento.

Sempre que na ânsia de educar gritamos, embora às vezes o grito pareça funcionar, não só não educamos, como geramos confusão e angústia na criança. Às vezes, envolta em alguma raiva, gera sentimentos de “é injusto, não cuidam de mim.”

Para que os gritos deixem de ser uma constante, é fundamental mudar a perspectiva com uma atitude firme e positiva perante os erros das crianças. Não gritar não significa sermos permissivos. Significa conversarmos e mostrarmos às crianças as consequências dos seus erros. Assim, para contornar o hábito do grito é importante que os pais sejam assertivos e consistentes.

Quanto mais alto se fala menos as crianças são capazes de nos ouvir. A “formula” será, quanto mais baixo se fala, desde que com segurança, coerência e afeto, mais as crianças nos ouvem!!!

Autores: Cátia Lopo & Sara Almeida

Fonte: Up to Kids



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