Oxigênio é nova alternativa para o tratamento de crises de enxaqueca!

Primeira opção para tratamento de cefaleias em salva (se caracteriza por uma dor de cabeça de alta intensidade que afeta somente um lado da face, especialmente em volta de um dos olhos), a oxigenoterapia começa agora a ser usada para aliviar as crises de outras cefaleias primárias, como enxaqueca e dores tensionais.

A terapia – que consiste basicamente na inalação de oxigênio medicinal durante as crises – é recente, segundo Paulo Faro, médico neurologista especialista em cefaleia, mas está sendo cada vez mais aplicada por conta dos benefícios que traz aos pacientes.

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“Em 2014 um artigo europeu mostrou a eficácia da oxigenoterapia para o tratamento de outras dores de cabeça. Desde 2015 começamos a ampliar o uso desta terapia no Instituto de Neurologia de Curitiba”, explica Faro, que é chefe do setor de cefaleia do INC e membro efetivo da Sociedade Brasileira de Cefaleia.

Sem outros remédios

Segundo Faro, o uso de oxigênio, além de eficaz, mostra-se interessante por diminuir a necessidade de outros recursos para a dor, como medicamentos via oral ou até mesmo injetáveis, e também por ter quase nenhum efeito colateral, podendo ser indicado para um número maior de pacientes.

“Atualmente estamos usando muito para aliviar crises em gestantes e crianças. Temos um resultado positivo em cerca de 80% dos casos. A única contraindicação é para pacientes que têm doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), mas para todos os outros pacientes é um tratamento seguro”, explica.

Uso em emergências

Sobre a adoção da oxigenoterapia nos pronto-atendimentos, o médico – que publicou em 2016 um artigo científico sobre o assunto – afirma que os ambientes via de regra estão preparados para prestar o atendimento.

Porém, muitas vezes os profissionais ainda desconhecem o protocolo correto. “Existe uma técnica para a oxigenoterapia, em que o paciente deve inalar o oxigênio a 100% por meio de uma máscara (e não qualquer outro meio, como cateter) em uma determinada posição, por um certo período de tempo”, alerta.

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A posição certa, explica, é com o paciente sentado, com o tronco levemente inclinado à frente, com os cotovelos apoiados — o tempo para realizar a terapia é de aproximadamente 20 minutos.

Já prevendo esta possível dificuldade em encontrar atendimento satisfatório nos pronto-atendimentos, Faro diz que é comum que os pacientes com crises constantes tenham seu próprio cilindro de oxigênio em casa. “Muitos alugam também, o que se mostra muito econômico, pois é possível locar o aparelho por cerca de R$ 50 por mês”, justifica.

Tratamento ainda não é consenso

Apesar dos possíveis benefícios, o uso do oxigênio para o tratamento de enxaquecas não é consenso entre os médicos. “Para as cefaleias em salva é realmente a primeira opção, mas em relação a outros tipos de dores de cabeça os estudos ainda são inconclusivos”, afirma Fernando Spina Tensini, Neurologista do Hospital Marcelino Champagnat. “Os estudos compararam o uso de oxigênio com o uso de um “placebo”, e não com o uso de medicamentos tradicionais”, justifica.

Além disso, segundo o neurologista, geralmente os pacientes que sofrem de enxaqueca querem tratamentos preventivos, e o oxigênio é usado apenas para combater a dor. “E mesmo durante as crises vemos que os medicamentos injetáveis se mostram altamente eficazes”, defende. Ele, no entanto, não descarta a possibilidade de que novos estudos venham a comprovar a eficácia futuramente, e acredita ainda que a oxigenoterapia pode sim ser uma alternativa para pessoas que não podem lançar mão dos fármacos, como gestantes e crianças.

Fonte: Gazeta do Povo



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