OMS reduz expectativas: Vacina contra a Covid-19 não estará disponível antes de 2022!

A cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Soumya Swaminathan, alertou nesta quarta-feira que não acredita que as possíveis vacinas contra a covid-19 estejam disponíveis para a população em geral em menos de 2 anos, embora os primeiros grupos de risco possam ser imunizados a partir de meados de 2021. Na semana passada, uma porta-voz da OMS, Margaret Harris, tinha dito que não esperava uma vacinação generalizada “antes de meados de próximo ano”.

Naquela ocasião, a OMS considerou alentador que várias vacinas estejam na fase 3 de estudos, mas alertou que “ainda há um trecho a percorrer”. Ao mesmo tempo, uma publicação confirmava que a vacina russa apresentava “resultados esperançosos”. Nesta quarta-feira, no entanto, a corrida pela imunização sofreu um baque, porque a AstraZeneca e a Universidade de Oxford interromperam seus testes após detectar que um dos voluntários teve uma doença ainda inexplicada, que está sendo investigada.

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No mundo existem pelo menos 179 vacinas experimentais contra o coronavírus, e 34 delas já estão sendo testadas em humanos, segundo o registro da OMS. Mas os protótipos devem passar por três fases: uma primeira etapa, com dezenas de voluntários saudáveis, para descartar efeitos graves; uma segunda, com centenas de pessoas, para avaliar a resposta imune induzida, ajustar a dose e confirmar a segurança, e a chamada fase 3, em que a vacina experimental deve demonstrar que é segura e eficaz em ensaio com dezenas de milhares de pessoas por meses.

“Muitos acham que no início do próximo ano chegará uma panaceia que resolverá tudo, mas não será assim: há um longo processo de avaliação, licenciamento, fabricação e distribuição”, enfatizou Swaminathan em uma sessão de perguntas e respostas com internautas nas redes sociais.

A especialista indiana indicou que o cenário mais otimista com que a organização trabalha é o de que os primeiros lotes de vacinas cheguem a vários países em meados de 2021, quando deverá ser dada prioridade aos grupos de maior risco, já que ainda não haverá doses suficientes para toda a sociedade. “Pela primeira vez na história, precisamos de bilhões de doses de uma vacina”, afirmou a cientista-chefe da OMS, lembrando que, para as campanhas anuais de vacinação em massa contra outras doenças, são necessárias no máximo centenas de milhões de doses.

Atualmente, a Comissão Europeia já tem acordos preliminares para comprar mais de 1,1 bilhão de doses de cinco vacinas experimentais diferentes contra o coronavírus: 300 milhões da candidata de Oxford; outros 300 milhões em desenvolvimento pela multinacional francesa Sanofi e pela britânica GSK; 225 milhões do protótipo da empresa alemã de biotecnologia Curevac; 200 milhões da empresa americana Johnson & Johnson, e 80 milhões de doses da também americana Modern. Todas essas vacinas ofereceram resultados promissores até o momento, mas nenhuma tem resultados garantidos.

Quem deve receber a vacina primeiro

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Na seleção dos grupos prioritários para receber a vacina, a especialista insistiu que “os profissionais de saúde devem ser os primeiros, e assim que chegarem mais doses devem ser vacinados os mais velhos, as pessoas com outras doenças, para assim ir cobrindo cada vez mais a população, um processo que levará 2 anos”.

Até lá, “as pessoas devem ser disciplinadas”, ressaltou Swaminathan, indicando que devem ser mantidas as medidas preventivas atuais (como distanciamento físico, uso de máscara, higienização das mãos) ou semelhantes.

A cientista também explicou aos internautas como funciona o Covax, iniciativa com que a OMS e outras organizações internacionais ajudam financeiramente na pesquisa de vacinas contra a covid-19 em troca de que seja garantida a distribuição dessas vacinas em todo o mundo, não apenas nos países mais ricos.

Swaminathan destacou que cerca de cem países em desenvolvimento podem ser beneficiados com esse programa, e disse que mais de 70 manifestaram interesse em participar. Para isso, o Covax está em negociações com as principais empresas e instituições que pesquisam vacinas contra a covid-19 do mundo para adquirir grandes quantidades de doses quando sua eficácia e segurança forem comprovadas.

“Alguns fabricantes propõem preços de custo, enquanto outros sugerem que sejam maiores ou menores dependendo de um país ser mais ou menos rico”, revelou a especialista a respeito das negociações com as farmacêuticas. Sobre o preço aproximado das doses, Swaminathan indicou que, atualmente, parece que poderia oscilar entre 2 e 30 dólares (10,60 e 158,80 reais), mas ressalvou que o mercado “é muito dinâmico” e o valor “mudará à medida que mais vacinas forem disponibilizadas”.

Ela também lembrou que a maioria dos países “vacina sua população gratuitamente ou quase sem custo” direto para o bolso dos pacientes. O Covax faz parte do programa da OMS denominado Acelerador ACT, que cobre não só vacinas, como também ferramentas de diagnóstico e terapias para os pacientes com coronavírus. Quatro meses depois do lançamento dessas iniciativas para garantir acesso universal às ferramentas contra a pandemia, foram feitos “grandes progressos”, assegurou Swaminathan, acrescentando que a rapidez com que vacinas e medicamentos estão sendo pesquisados não prejudicará a segurança do paciente.

Fonte: El País



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