O que os pais precisam saber sobre a Doença de Kawasaki ligada à Covid-19!

A Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, afeta menos os pequenos do que os adultos. Contudo, cerca de 100 crianças em seis países desenvolveram recentemente um quadro inflamatório sistêmico perigoso, que parece ligado à infecção. É o que apontam autoridades da França, Espanha, Itália, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos.

Os sintomas dessa complicação em potencial lembram uma versão atípica da Doença de Kawasaki, que promove inflamações nos vasos sanguíneos e, assim, desencadeia problemas em vários locais do corpo. Há ainda relatos similares à síndrome de choque tóxico, outra resposta inflamatória exagerada a alguma infecção que causa falência de órgãos.

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Como não é exatamente igual a essas condições, o fenômeno está sendo encarado como uma nova doença, a ser ainda compreendida. “Estes achados acendem um sinal de alerta, mas a relação de causa e efeito não está bem estabelecida, até mesmo porque os casos ainda são muito raros comparados ao universo de infectados pelo coronavírus”, destaca Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria.

O que é a Doença de Kawasaki

A Doença de Kawasaki é bem conhecida pelos médicos. De incidência rara, mais comum em meninos e em crianças menores de 5 anos de idade. “Por mecanismos ainda desconhecidos, ocorre uma vasculite, ou seja, uma inflamação dos vasos sanguíneos”, aponta Kfouri. Entre os fatores de risco para ela estão predisposição genética, doenças autoimunes e algumas infecções virais e bacterianas.

Na versão clássica, esta inflamação é promovida por anticorpos produzidos pelo próprio sistema imunológico, que se depositam nos vasos.

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No caso da Covid-19, se supõe que a reação (que pode nem ser a Doença de Kawasaki, como dissemos, mas um novo transtorno com repercussões parecidas) esteja ainda ligada à tempestade inflamatória notada nos adultos que têm as formas mais graves de Covid-19.

A inflamação é parte do processo de defesa do corpo contra um vírus ou bactéria. Para se defender do coronavírus, porém, algumas pessoas desenvolvem uma inflamação exagerada, que acaba atacando outros órgãos, incluindo o sistema circulatório. “É uma hipótese, mas não temos casos graves em crianças o suficiente para entender a evolução deles”, destaca Kfouri.

As evidências por trás da relação entre Doença de Kawasaki e Covid-19

Além dos relatos feitos pelos médicos e autoridades dos países, há poucos estudos disponíveis investigando essa relação. Em Nova York, epicentro americano da Covid-19, 3 crianças faleceram com a tal “síndrome multi-inflamatória sistêmica” (como tem sido chamada pelos pesquisadores) associada à Covid.

O Departamento de Saúde Pública da cidade avaliou 15 pacientes entre os 2 e 15 anos de idade que apresentaram o quadro. Dessas, quatro testaram positivo para o novo coronavírus e seis tinham anticorpos contra ele, indicando que haviam sido infectados no passado.

Um trabalho inglês publicado no The Lancet, importante periódico científico, notou um aumento de internações por situações similares à Kawasaki: oito casos em 10 dias, sendo que geralmente são uma ou duas por semana. O levantamento não confirmou, contudo, se elas haviam contraído o novo coronavírus.

Quais são os sintomas

Com a circulação prejudicada, órgãos como rins, pele, articulações e a mucosa dos olhos podem ser atingidos, causando sintomas que vão de inchaço nos gânglios do pescoço à conjuntivite, vermelhidão no tronco e descamação dos pés. O principal perigo é o comprometimento de órgãos vitais, como o coração, mas é raro que isso aconteça, até porque a condição pode ser tratada e diagnosticada precocemente.

A febre alta, que dura até semanas, é um sinal clássico da Doença de Kawasaki. Pode ocorrer ainda diarreia, dor abdominal e vômito.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?

Não existe um exame específico para Doença de Kawasaki ou para esses quadros multi-inflamatórios ainda indefinidos. O diagnóstico é feito com base nos sintomas e em achados de exames de sangue, urina e outros.

Os casos confirmados da doença clássica precisam de internação para acompanhamento de médicos de diferentes especialidades e para a administração de uma substância chamada gamaglobulina.

Geralmente, as crianças se recuperam da condição sem sequelas, mas uma em cada cinco pode apresentar complicações cardíacas.

Eu devo me preocupar?

Os relatos, apesar de raros, indicam uma tendência já observada no público adulto: a ausência de sintomas respiratórios em algumas crianças portadoras do coronavírus. Pois é, algumas das acometidas por essa hiper inflamação não demonstravam grandes problemas nas vias aéreas. “De fato, nem todas as pessoas apresentam indícios como tosse ou falta de ar.

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Em pediatria temos visto sintomas não tão usuais, como manchas e lesões na pele, comprometimento dos rins, perda de olfato e manifestações gastrointestinais como diarreia”, aponta Safadi.

Vale encerrar dizendo que esses casos atípicos de Covid-19 são raros e não mudam a percepção dos médicos de que a doença não costuma ser perigosa para as crianças. “Elas continuam sendo bem menos atingidas, e os registros de óbitos e internações são raros”, pontua Kfouri. Na presença de qualquer sinal preocupante, suspeito ou não de coronavírus, vale buscar orientação profissional. É possível fazer isso sem sair de casa com a telemedicina.

Fonte: Bebê.com.br



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