Neurocirurgia na Amazônia brasileira? Sim, é possível!

Um estudo da Universidade Rutgers apresenta um modelo para a criação de programas de neurocirurgia sustentável em locais remotos e pobres. Os países de baixa e média renda em locais remotos com pouco acesso aos cuidados podem criar programas neurocirúrgicos sustentáveis, recrutando e treinando jovens médicos locais.

Publicado na revista World Neurosurgery, o estudo analisou a eficácia nos últimos 20 anos de um departamento de neurocirurgia bem-sucedido, seu programa de residência, uma rotação internacional de residência e um programa de intercâmbio de estudantes de medicina, tudo em Santarém, uma região remota e pobre do Brasil, na floresta amazônica.

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O acesso à assistência aos residentes do norte rural do Brasil, onde fica Santarém, depende de encontrar transporte acessível para o único hospital municipal da região, que serve uma área maior que o Texas, com recursos limitados.

O atendimento especializado é quase inexistente. Pacientes cujas condições não podem ser tratadas localmente são transferidos para hospitais regionais maiores. Pesquisadores dizem que atrair médicos residentes e médicos para locais remotos - onde existe 1 neurocirurgião para cada 200.000 a 500.000 pessoas - tem sido difícil devido aos baixos salários e à falta de suprimentos cirúrgicos.

Mas o que melhorou as condições e criou mais acesso para os pacientes, disseram os pesquisadores da Rutgers, é um programa de residência em neurocirurgia de cinco anos iniciado em 2014 que levou a instalações aprimoradas e novos equipamentos cirúrgicos, além de parcerias ampliadas entre centros de treinamento acadêmicos e regionais.

O programa - que adiciona um novo residente que divide as tarefas clínicas entre os hospitais municipal e regional - ajudou a atrair cirurgiões que pudessem superar as barreiras da assistência médica e trabalhar com recursos limitados.

"Tendo trabalhado no sistema hospitalar de Santarém, fiquei fascinado com a forma como ele foi capaz de criar um programa neurocirúrgico sustentável para cuidar de pessoas em uma área pobre com recursos limitados, usando médicos que eram da área local", disse a autora Nicole Silva, estudante de medicina da Rutgers New Jersey Medical School.

O estudo também analisou problemas de saúde neurológica, incluindo os de povos indígenas, únicos na região. Os pesquisadores descobriram que as cirurgias neurológicas foram realizadas para lesões cerebrais e da coluna vertebral causadas por mergulho em águas rasas, quedas de enormes árvores da Amazônia e por serem atingidas por frutas caindo, bem como por cuidados neurocirúrgicos, como cirurgias de coluna, cirurgias de tumores e tratamento de hidrocefalia.

NEUROCIRURGIA

"A compreensão do efeito que o meio ambiente tem sobre os pacientes das comunidades rurais da Amazônia distinguiu os jovens neurocirurgiões da região daqueles que treinaram no modelo tradicional no Brasil", disse Silva. "Eu fui inspirado por esses médicos que vieram da área. Eles sabiam que não seriam bem remunerados, mas consideravam uma fonte de orgulho prestar assistência às pessoas da comunidade onde foram criados".

Os pesquisadores estão incentivando outras áreas com barreiras ao atendimento neurológico a investigar a replicação do programa no Brasil. "Isso exigiria o apoio do sistema médico estabelecido naquele país, um hospital com capacidade cirúrgica, atendendo médicos e residentes médicos apoiados pela educação domiciliar de seu sistema de saúde e sistema de educação médica", disse Silva. "Cada um desses fatores difere imensamente entre os países de baixa e média renda em todo o mundo".

Fica a certeza de que, quando há boa vontade e um bom planejamento, tudo torna-se possível! Compartilhe!

Fonte: EurekAlert



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