Naturalmente Perigosos: 11 Alimentos para temer!

Você alguma vez já se viu tentado a comer frutas que descobriu em uma trilha na mata? Já considerou comer ou até cozinhar as raízes e as folhas de determinada fruta ou vegetal, mas não o fez porque ficou em dúvida sobre se eram venenosas? Você sabia que existem variedades de peixes e mariscos consideradas letais, e que deveriam ser completamente evitadas?

Conheça agora uma variedade de alimentos potencialmente tóxicos ou letais quando consumidos crus ou verdes!

1. Mandioca (Aipim ou Macaxeira)

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Os glicosídeos cianogênicos encontrados nas folhas e raízes podem levar a paralisia irreversível.

Este arbusto lenhoso nativo da América do Sul, da África e de partes da Ásia é a terceira maior fonte de carboidratos nos países tropicais, sendo considerado a dieta básica para mais de meio bilhão de pessoas no mundo. As raízes e as folhas da mandioca contêm níveis tóxicos de dois glicosídeos cianogênicos: linamarina e lotaustralina. Comer apenas alguns pedaços de raiz de mandioca crua pode ser letal. O consumo da mandioca preparada de forma inadequada tem sido associado a bócio, pancreatite, ataxia e a um tipo de neuropatia conhecida como Konzo.

Para reduzir a quantidade de cianeto na mandioca, as raízes são descascadas, cortadas em pedaços pequenos, encharcadas em água e cozidas. A farinha de mandioca processada tem uma baixa concentração de cianeto e é considerada segura para consumo.

2. Lichia

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As toxinas podem causar hipoglicemia e encefalopatia aguda.

A lichia é nativa das províncias da China, mas também é cultivada na Índia, no sudeste da Ásia e no sul da África. As sementes da fruta contêm hipoglicina A e metilenociclopropilglicina, duas toxinas naturalmente encontradas no saboeiro (uma planta da família das Sapindaceae). Em pessoas desnutridas, a ingestão da fruta verde da lichia pode causar hipoglicemia grave (≤ 70mg/dL), disfunção metabólica, febre, e disfunção cerebral.

Em 2013, os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos EUA investigaram surtos inexplicáveis de doença neurológica em Muzaffarpur, na Índia. Investigações futuras foram conduzidas nas fazendas com amplas áreas de cultivo de lichia e um relatório foi publicado em 2017 no periódico Lancet Global Health. Os autores do artigo estabeleceram a associação entre o consumo de lichia e os surtos de encefalopatia hipoglicêmica. Das 390 crianças que preencheram o critério de definição de caso e que foram internadas em dois hospitais em Muzaffarpur, 122 (31%) morreram.

3. Amêndoas amargas cruas

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Cada amêndoa contêm de 4 mg a 9 mg de cianeto de hidrogênio; consumir 50 mg pode ser fatal.

Existem dois tipos de amêndoa: a amarga e a doce. As amêndoas amargas são mais largas e menores do que as doces, sendo que ambas contêm amigdalina (um precursor do cianeto de hidrogênio). Os níveis de cianeto de hidrogênio são 40 vezes maiores nas amêndoas amargas (as doces têm apenas traços da substância). Mesmo que em pequenas doses, as amêndoas amargas cruas são altamente tóxicas e precisam receber um tratamento com calor para a remoção do cianeto venenoso.

Nos Estados Unidos a amêndoa doce é a única variedade produzida e a Califórnia é o único estado que as produz — 82% do suprimento mundial. Depois de dois surtos de Salmonela rastreados nas amêndoas doces, no início dos anos 2000, a venda a granel de amêndoas cruas não pasteurizadas tornou-se ilegal nos Estados Unidos, no Canadá e no México. Caso não sejam pasteurizadas por vapor ou calor, elas são tratadas com um produto químico, o óxido de propileno.

4. Castanha-de-caju crua

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Contém a mesma toxina da hera venenosa, o urushiol.

Você sabia que as castanhas-de-caju chamadas de "cruas" na verdade não são cruas; e são sementes, e não castanhas? As castanhas-de-caju são aquecidas para remover a toxina urushiol (encontrada nas cascas), o qual é o mesmo composto químico da hera venenosa. As pessoas alérgicas ou altamente sensíveis à hera venenosa podem desenvolver uma reação alérgica fatal se expostas ou se consumirem a castanha-de-caju crua.

Em abril de 1982, as castanhas-de-caju importadas de Moçambique e vendidas pela organização Little League na Pensilvânia causaram um grande surto de dermatite, e assim levaram a uma investigação pelos CDC. Muitos sacos deste lote continham pedaços de cascas cruas.

Quem trabalha na colheita de castanhas-de-caju ou manipula castanhas processadas tendem a apresentar reação extensa às cascas ao longo do tempo, com alta incidência de rash cutâneo e de dermatite (vermelhidão e prurido intensos; casos graves com pápulas, vesículas e bolhas poderão surgir).

5. Manga

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Também contém urushiol e pode levar à anafilaxia.

As mangas são cultivadas em climas tropicais. Quase metade do suprimento mundial é produzido na Índia; a China é o segundo maior produtor da fruta. As folhas, caules, seiva e a casca da manga contêm urushiol, a mesma toxina encontrada na hera venenosa e nas castanhas-de-caju cruas. O contato com o óleo da fruta pode causar edema nos lábios, dermatite e anafilaxia em indivíduos mais sensíveis.

6. Sementes de Rícino (ou Mamona)

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Contêm ricina, uma enzima tóxica que pode causar dano neurológico permanente e até morte.

O óleo de rícino é amplamente divulgado como remédio natural para uma grande variedade de doenças da pele e do cabelo. É comumente usado como laxante e acrescentado a vários medicamentos modernos. Na indústria alimentícia, é usado como condimento (colocado como flavorizante em balas e chocolates) e como inibidor de mofo. O óleo vegetal é obtido na prensa das sementes da planta do rícino — ou mamona — (Ricinus communis). Estas sementes contêm ricina, uma das substâncias naturais mais venenosas do mundo. Apenas um miligrama de ricina pode matar um adulto e a ingestão acidental de uma semente de rícino (semente de mamona) pode matar uma criança.

Os trabalhadores nas colheitas das sementes são solicitados a seguir diretrizes rigorosas de segurança no trabalho para prevenir morte acidental ou efeitos colaterais graves, e a produção é limitada nos Estados Unidos. O aquecimento durante o processo para extração do óleo desnatura e desativa a ricina.

7. Noz-Moscada

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2 a 3 colheres de chá podem levar a crises convulsivas parciais ou generalizadas e psicose.

Predominantemente cultivada na Indonésia, na Malásia e em Granada, a noz-moscada é um condimento geralmente utilizado para dar sabor em produtos de panificação, carnes, molhos e bebidas (como eggnog, uma bebida tradicional nos EUA e no Canadá). A noz-moscada crua contém miristicina e elemicin, dois compostos de fenilpropano com efeitos psicoativos e anticolinérgicos.

A miristicina é uma toxina, e o consumo excessivo da noz-moscada crua pode resultar em envenenamento. Foram relatados vários casos de abuso intencional no consumo excessivo de noz-moscada por adolescentes que misturaram noz-moscada com outras drogas. O consumo de 1 a 3 nozes-moscadas inteiras (entre 5 g e 15 g da noz ralada) pode levar a envenenamento agudo dentro de três a seis horas, com início de tontura, alucinações e "psicose relacionada a noz-moscada". O consumo excessivo também pode induzir palpitações, dor generalizada, convulsões e até levar à morte. Os sintomas podem durar por vários dias.

8. Batatas

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Contêm glicoalcaloides. Comer os tubérculos com casca verde pode levar a intoxicação aguda.

Batatas são o quarto produto alimentar mais consumido no mundo e a parte importante da cesta básica em muitos países. A China produz 25% do suprimento mundial, seguida por Rússia, Índia e Estados Unidos.

Os glicoalcaloides (solanina e chaconina) são os compostos tóxicos encontrados em folhas, caules, brotos e tubérculos da planta da batata. A exposição à luz, o dano físico e o envelhecimento significativamente aumentam a quantidade de glicoalcaloides (de 12-20 mg/kg para 1500 a 2000 mg/kg) e conferem uma coloração esverdeada às batatas.

Com o aumento do consumo de produtos comerciais como batatas fritas e salgadinhos do tipo chips, há uma crescente preocupação sobre segurança alimentar com as batatas usadas para o processamento desses alimentos.

A ingestão de batatas com altos níveis de glicoalcaloides pode levar a cólicas, vômitos, diarréia, confusão mental, cefaléias, distúrbios neurológicos e até a morte, em casos de intoxicação aguda. A dose letal é estimada entre 3 mg/kg e 6 mg/kg de peso corporal.

9. Anis-estrelado japonês

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Contêm anisatina, uma potente neurotoxina.

O anis-estrelado japonês (Illicium anisatum) não deve ser confundido com o anis-estrelado chinês (Illicitum verum). A variedade chinesa é uma espécie popular usada em muitas culturas. A variedade japonesa, por outro lado, contém anisatina, um composto altamente tóxico que pode causar doenças neurológicas e gastrointestinais graves como diarreia, vômitos, convulsões, movimento rápido de olhos e paralisia respiratória.

Em setembro de 2003, a FDA emitiu um alerta aos consumidores para não ingerirem chás fabricados de ambas espécies de anis-estrelado até que pudessem diferenciar entre as duas variedades.

10. Algumas espécies de cogumelos

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O chapéu-da-morte é responsável por quase 90% das mortes por cogumelo no mundo.

As duas principais espécies de cogumelo letais são o chapéu-da-morte, ou cicuta verde (Amanita phalloids), e o anjo-da-morte (Amanita ocreata). O composto tóxico primário nos dois casos é a alfa-amanitina, considerada a mais letal de todas as amatoxinas encontradas nas espécies de cogumelo do gênero Amanita.

Os sintomas ocorrem entre 6 e 12 horas após a ingestão e incluem dor abdominal grave, vômito, diarreia com sangue (causando desidratação grave, intensa sede e redução do fluxo urinário). Insuficiências hepáticas e renais, também doença do sistema nervoso central, ocorrem logo após os sintomas supracitados. Mais da metade dos casos de envenenamento culminam em estado de coma e morte.

Em 2016, o California Poison Control System reportou mais de 670 casos de ingestão de cogumelos selvagens nocivos em todo o estado da Califórnia no período de um ano. Um possível antídoto derivado do cardo-mariano, ou cardo-leiteiro (uma planta nativa da Europa), com aplicação intravenosa da substância silibina, foi aprovado na Europa e está sendo testado em um estudo clínico nos Estados Unidos.

11. Baiacu (Fugu)

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Contém uma toxina que é 1200 vezes mais letal que o cianeto.

O baiacu é considerado o peixe mais venenoso e o segundo vertebrado mais venenoso do mundo (o sapo-do-dardo-venenoso é considerado o primeiro). Um único peixe tem veneno suficiente para matar até 30 pessoas, e não existe antídoto contra estes efeitos tóxicos.

O veneno do peixe contém tetrodotoxina, uma neurotoxina que inibe a transmissão neural e pode causar fraqueza, paralisia do diafragma (levando à asfixia) e até morte mesmo em concentrações tão baixas como 2 mg. Esta toxina está presente em ovários, fígado, intestino e até na pele do peixe. No entanto, a concentração da toxina é relativamente pequena no tecido muscular, e portanto este é considerado seguro para ser consumido. O baiacu (fugu) é considerado uma iguaria no Japão, mas apenas chefes de cozinha altamente habilidosos (que se submeteram a três anos ou mais de treinamento árduo) estão autorizados a prepará-lo e servi-lo aos clientes.

Fonte: Medscape



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