É possível demonstrar Sinais de Esquizofrenia já na Infância?

A esquizofrenia ainda não teve sua causa definida, mas a comunidade científica acredita que a doença surge a partir de um conjunto de fatores biológicos e ambientais, como alterações neurológicas e uso de drogas. Trata-se de um transtorno psiquiátrico caracterizado por problemas na distinção entre o que é realidade e o que é imaginação.

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A esquizofrenia acomete igualmente homens e mulheres e é mais comuns em adultos. O número de diagnósticos em crianças e adolescentes é menor, mas a possibilidade da doença se manifestar durante a infância existe.

“Usualmente, o surgimento da esquizofrenia ocorre a partir dos 15 anos de idade, mas há casos a partir dos 10”, afirma o psiquiatra Eduardo de Castro Humes.

Sinais de esquizofrenia na infância

Em crianças, alguns sinais podem indicar um quadro de esquizofrenia. Falar sozinho, risos imotivados, pensamento desorganizado, incapacidade de se explicar, isolamento social e agressividade sem causa são alguns deles. É comum também que crianças com o distúrbio achem que as pessoas estão falando dela e que podem ler seus pensamentos.

Humes explica que o tipo mais comum de esquizofrenia difere de adultos para crianças: “A forma hebefrênica, também chamada de desorganizada, é a mais comum na infância. Já nos adultos é a paranoide, caracterizada por alucinações e delírios.” A base do tratamento não depende da idade: são usados medicamentos antipsicóticos, psicoterapias e outros métodos de acordo com cada caso.

A esquizofrenia é um distúrbio grave e incapacitante por toda a vida. De acordo com o psiquiatra Miguel Boarati, apenas 1% dos casos da doença ocorre abaixo dos 13 anos de idade.

Sintomas iniciais da esquizofrenia também podem ser de outras doenças

Ainda conforme o médico, essa porcentagem é apenas um pouco maior nos adolescentes entre 13 e 17 anos. Como os pequenos não tem maturidade e autonomia suficientes para identificar sintomas e procurar ajuda, é essencial que os pais estejam atentos ao aparecimento de comportamentos suspeitos. Afinal, só assim poderá haver um diagnóstico precoce e, consequentemente, um tratamento com chances de sucesso.

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Alguns sintomas mais brandos e iniciais podem já dar indícios do desenvolvimento da doença. Falta de inclinação para interação social é um exemplo. Todavia, não dá para associá-lo imediatamente à esquizofrenia, pois este sinal também se relaciona a outras doenças.

“Sintomas prodrômicos, ou seja, que ocorrem antes da doença se desenvolver, não podem ser considerados como exclusivos da esquizofrenia, pois também estão ligados à deficiência intelectual e autismo”.

Autismo já foi confundido com a esquizofrenia

Inclusive, o autismo por vezes é confundido com esquizofrenia, conforme explica Miguel. “O termo autismo foi primeiramente utilizado para designar a esquizofrenia em estágio inicial na infância, mas hoje é utilizado apenas para os quadros de esquizofrenia mesmo. Demorou alguns anos de estudos para ocorrer a diferenciação clínica entre quadros de autismo de baixo funcionamento e esquizofrenia”.

Diante de mudanças de comportamento como vivências alucinatórias (ouvir vozes e ver vultos), medos infundados, pensamentos delirantes, isolamento social e embotamento afetivo, é fundamental que a criança seja levada para avaliação médica.

“Além do investimento financeiro e emocional, é importante que pais, professores, familiares e a sociedade como um todo busquem informações que reduzam o estigma e o preconceito”.

Fonte: Cuidados pela Vida



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