Dor nas Costas: você e seu médico fazem (quase) tudo errado!

Atire a primeira pedra quem nunca sofreu com pontadas na região lombar ou cervical: eis um problema que atinge gente de todas as idades e classes sociais. Segundo um levantamento recente, a dor nas costas é a principal causa de incapacidade no mundo inteiro. Só no Brasil, ela atinge 13% da população e só fica atrás da hipertensão entre as queixas de saúde.

Uma série de artigos publicada recentemente no prestigiado periódico de ciência The Lancet faz uma análise completa sobre o cenário do diagnóstico e do tratamento desse problema nos quatro cantos do globo.

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A conclusão é que médicos e pacientes estão cometendo um erro atrás do outro!

Exames inúteis

Tudo começa quando o indivíduo vai até o pronto-socorro e quer uma solução rápida para a sua chateação. O especialista, então, pede uma batelada de testes para averiguar o que está errado. E essa é a primeira falha da história: não há nenhuma necessidade de pedir radiografia, tomografia ou ressonância magnética na esmagadora maioria dos casos.

“Os exames de imagem não vão influenciar em nada as escolhas de tratamento”, esclarece a fisioterapeuta Lucíola Costa, da Universidade Cidade de São Paulo, instituição brasileira que apoiou a realização o estudo na América Latina.

É comum que muitas pessoas tenham alguma particularidade nas vértebras sem que isso resulte numa doença de verdade, com repercussões no dia a dia. “Alterações na coluna são iguais a cabelo branco e ruga: todo mundo vai ter um dia”, completa a especialista.

Os exames só estão indicados para uma parcela mínima de casos, quando surgem suspeitas de deslocamento de vértebras, fraturas após traumas e acidentes e quando houver indícios de tumores que estejam apertando nervos que saem da medula espinhal.

Drogas (e bisturis) errantes

Após o diagnóstico, a segunda mancada está no contra-ataque terapêutico. Na maioria das vezes, a tendência é partir para remédios e métodos invasivos. Outro equívoco grave.

Nos países ricos, há um abuso na prescrição de opioides, uma classe farmacêutica potente que, quando mal utilizada, provoca um monte de efeitos colaterais e leva à dependência. E isso sem contar a tendência de recorrer às cirurgias, um recurso caro que muitas vezes não resolve a questão.

O médico pode até prescrever analgésicos e anti-inflamatórios por um curto período de tempo. “Mas a solução mesmo é educar o paciente e tirar os seus medos, mostrando que a dor não é uma doença, mas um sintoma que pode estar relacionado a diversos fatores, como estresse, ansiedade, depressão, noites mal dormidas, falta de atividade física…”, sugere Lucíola.

Também não dá para ficar só de repouso, outra sugestão bastante comum nos consultórios. Manter uma vida ativa é um recurso essencial para encarar e minimizar esse problema.

Em muitos casos, a fisioterapia torna-se uma aliada e tanto na recuperação. “Só não podem ser utilizadas modalidades passivas, em que somente o profissional de saúde faz os movimentos e estímulos no corpo.** O paciente precisa ter participação ativa durante as sessões**”, recomenda a professora.

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Para prevenir que as pontadas apareçam, a dica é a mesma: não fique parado. Vale reservar algum tempo do dia ou da semana para a prática regular de atividade física e fugir das longas horas sentado na cadeira do escritório ou largado no sofá da sala. É importante se levantar de vez em quando para esticar o esqueleto e os músculos.

Por fim, é primordial ficar atento à postura e fazer pequenos ajustes no ambiente de trabalho e de lazer para não se encurvar por horas a fio.

Sua coluna agradece!

Fonte: Saúde Abril



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