Coronavírus é transmissível pelo AR, dizem cientistas!

Dirigido a autoridades internacionais de saúde pública, um apelo sobre a importância de combater a transmissão área da Covid-19 será publicado em breve no periódico Clinical Infectious Diseases. Intitulado "É hora de abordar a transmissão aérea da Covid-19", o texto é assinado por 239 cientistas de 32 países, que estudam as mais variadas áreas da ciência, como virologia, física de aerossóis, dinâmica de fluxo, medicina, engenharia civil, exposição e epidemiologia.

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Os pesquisadores ressaltam resultados de estudos recentes que apontam que gotículas expelidas pela fala e respiração de pessoas infectadas podem alcançar uma distância maior do que 1,5 metro — medida padrão de distanciamento utilizada em todo mundo durante a pandemia.

"Os estudos dos signatários e de outros cientistas demonstraram, sem sombra de dúvida, que os vírus são exalados em micropartículas pequenas o suficiente para permanecer no ar e representarem um risco de exposição maior do que 1 a 2 metros por uma pessoa infectada", afirma Lidia Morawska, líder da iniciativa, expert em saúde e qualidade do ar e professora da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália. "Em velocidades típicas do ar interno, uma gotícula de 5 mícrons viajará dezenas de metros, muito maior do que a escala de uma sala típica, enquanto se deposita a uma altura de 1,5 metro acima do chão".

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De acordo com os pesquisadores, algumas medidas que precisam ser tomadas para mitigar a transmissão aérea do vírus são: garantir ventilação suficiente e eficiente em lugares públicos (escritórios, escolas, hospitais, asilos); controlar a ventilação (prover filtragem de ar de alta eficiência, luzes ultravioletas germicidas e exaustão local); e evitar superlotação (principalmente em transportes e edifícios públicos).

Morawska destaca também que diversos estudos já mostraram que a transmissão aérea do Sars-CoV-2 é a explicação mais provável para a disseminação da doença. “Por exemplo, um estudo recente, que analisou os registros de dados e vídeos em um restaurante onde três grupos separados de clientes contraíram a Covid-19, não observou evidências de contato direto ou indireto entre os três grupos, mas conseguiu modelar como a transmissão [do vírus] ocorreu pelo ar [entre as pessoas presentes no restaurante]", cita.

Os pesquisadores reforçam a preocupação em considerar que medidas como lavagem de mãos e distanciamento sejam suficientes para evitar a infecção pelo Sars-CoV-2, sendo necessárias, ainda, precauções adicionais em relação ao ar — como as medidas mencionadas acima.

Fonte: Revista Galileu



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