Compostos cancerígenos do churrasco entram no organismo através da pele!

Já se sabia a fumaça produzida pelas churrasqueiras contém uma quantidades consideráveis de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA), compostos cancerígenos que podem causar doenças respiratórias e mutações no DNA. Um novo estudo, porém, mostra que a maior parte dessas substâncias não penetra no organismo dos participantes dos churrasco pelas vias respiratórias, mas através da pele.

A nova pesquisa, publicada na revista científica Environmental Science & Technology, foi coordenada por Eddy Zeng, da Escola de Meio Ambiente da Universidade de Jinan, na China, e também envolveu cientistas da Universidade de Pequim, também na China.

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De acordo com os cientistas, os HPAs, produzidos pela queima incompleta de substâncias orgânicas como o carvão, a lenha e a gasolina, também se formam por meio de uma reação química quando a fumaça entra em contato com a gordura e as proteínas das carnes assadas nas temperaturas elevadas da churrasqueira.

Estudos feitos com roedores têm mostrado que a exposição prolongada aos HPAs está ligada ao risco aumentado de certos tipos de câncer, incluindo tumores de pele, mama, bexiga, fígado e próstata. A maior parte das pesquisas já feitas, porém, tinha foco na exposição aos HPAs pela própria comida e pela fumaça da churrasqueira.

O novo estudo confirma que a maior quantidade de HPAs é absorvida mesmo pela ingestão do churrasco. No entanto, para surpresa dos pesquisadores, o nível de absorção dessas substâncias pela exposição à fumaça é maior pela pele do que pelas vias respiratórias.

Para realizar o estudo, os cientistas fizeram um experimento com 20 homens, com idades de 22 a 25 anos, que participaram de um churrasco de 2,5 horas em Guangzhou, na China. Os participantes foram divididos em três grupos.

O primeiro grupo comeu o churrasco, mas tomou precauções para evitar a exposição à fumaça - tanto pelo nariz como pela pele. O segundo grupo ficou ao lado da churrasqueira, exposto à fumaça, mas não comeu carne. Um terceiro grupo não comeu churrasco, utilizou uma máscara especial para evitar a inalação da fumaça, mas ficou exposto à ela.

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Os cientistas coletaram amostras de urina de todos os participantes antes e depois do churrasco. Eles também coletaram amostras do ar durante o evento, para analisar os níveis de HPAs Os pesquisadores calcularam, ainda, estimativas da ingestão de HPAs pelos participantes através da comida, do ar e da pele.

Como esperado, o consumo da carne assada na churrasqueira correspondeu ao maior nível de exposição aos HPAs. Mas o segunda principal rota de absorção foi a pele, seguida pela inalação da fumaça.

O estudo também mostrou que roupas compridas não são suficientes para evitar a absorção de HPAs pela pele. Os cientistas verificaram que as roupas reduziram a quantidade de HPAs absorvida pela pele por um curto período, mas, só até que os tecidos ficassem saturados com a fumaça.

Fonte: Correio Braziliense



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