"Bariátrica Oral": Emagrecimento em Cápsulas!

Pelo menos 1,9 bilhão de adultos lutam contra a balança no planeta, segundo estatística da Organização Mundial da Saúde — 100 milhões apenas no Brasil. Quase metade desse contingente não consegue emagrecer mexendo no cardápio e no estilo de vida. Para esse imenso grupo, há no mercado uma profusão de remédios e procedimentos, como a popular cirurgia bariátrica, de redução do estômago.

Recentemente, surgiu uma opção intermediária, que não faz uso de remédios e dispensa a faca: a ingestão de uma cápsula que contém um balão gástrico. Até então, o balão, dispositivo que reduz o apetite por ocupar o espaço dos alimentos no sistema digestivo, era instalado apenas por endoscopia, em ambiente hospitalar. Agora, em uma visita à clínica, o paciente engole a drágea e vai para casa meia hora depois. Não é preciso sedação!

images--75-

O dispositivo inflável permanece no estômago por 4 meses e depois disso é eliminado naturalmente. A técnica foi batizada de “bariátrica oral” — um exagero, por nada ter a ver com a cirurgia, mas um atalho que ajuda a entender o novo recurso.

A versão em pílula mais recente é chamada Elipse e encontra-se disponível na Europa. Está em fase de estudos nos Estados Unidos e não há previsão de chegada ao Brasil.

Detalhe importante, se estiver considerando a pílula uma boa ideia: prepare o bolso. O valor médio da colocação equivale a 27.000 reais.

O balão gástrico faz perder peso de forma simples. Ao ocupar um espaço de até 70% no estômago, ele cria uma sensação de saciedade permanente, fazendo com que o paciente passe a consumir pelo menos metade do que ingeria antes. E os mecanismos de emagrecimento vão além. A redução da capacidade em si do órgão também mexe com hormônios ligados à sensação da fome. A sensação de saciedade diminui a grelina, composto que controla justamente o apetite.

capsula-bariatrica-iphone

Apesar do preço, a facilidade de colocação do balão, via oral, sem internação, tem tudo para torná-lo cada vez mais acessível. Estudos recentes comprovam perda de peso muito semelhante à verificada com o uso de balões tradicionais e à dos primeiros três meses da cirurgia bariátrica. Nos últimos anos, com o avanço das técnicas de operação e o desenvolvimento de medicamentos que permitem uma convivência mais saudável com um novo corpo, deu-se uma explosão da busca pela cirurgia. Em cinco anos, a procura aumentou 47%, de acordo com as estatísticas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), um dado que instala o Brasil no topo do ranking mundial da redução de estômago — atrás apenas dos Estados Unidos, o império global da obesidade.

Como é natural acontecer com qualquer procedimento médico, a cirurgia, assim como a colocação do balão gástrico, tem efeitos colaterais. A perda de peso pode ter impacto biológico e comportamental, tanto que se recomenda acompanhamento psicológico e nutricional.

No caso do balão gástrico em específico, o paciente pode sentir, na primeira semana de implantação, dores abdominais e náusea. Há episódios raros de rejeição, quando tem de ser retirado. “O maior desafio, porém, é manter o peso a longo prazo”, diz a endocrinologista Erika Paniago Guedes.

Como a ação do balão é puramente mecânica, não ocorre reeducação dos hábitos alimentares. Em tese, quando ele é eliminado, o apetite volta ao normal. “O paciente precisa ser informado de que não é um balão mágico nem um tratamento definitivo para a obesidade”, diz Luiz Vicente Berti, vice-presidente executivo da SBCBM. Para o endocrinologista Mario Carra, diretor do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), trata-se apenas de “uma tentativa que pressupõe antes tentar o tratamento farmacológico”.

images--74-

No Brasil, o desembarque do balão gástrico em pílula é aguardado com ansiedade. O país ocupa hoje o quinto posto na lista de cidadãos mais gordos. Em 1980, apenas 7% da população brasileira era obesa. Em 2015, eram 18% — um salto semelhante ao observado nos Estados Unidos. Mas, considerando-se apenas a última década, a taxa de obesidade por aqui cresceu em ritmo superior ao da americana. A continuar assim, estima-se que em cerca de 10 anos os brasileiros possam estar tão obesos quanto os americanos.

O balão em cápsula é um bálsamo, evidentemente. Mas melhor seria poder evitá-lo — com bom senso, melhores hábitos alimentares e exercícios!

Fonte: Veja.com



Compartilhar no Facebook