ARTROSE no Quadril: Prótese é a única solução ou o Ácido Hialurônico funciona?

O quadril é a segunda articulação mais acometida pela artrose no nosso corpo. A articulação do quadril é complexa e é formada pela junção do tipo “soquete” entre a cabeça do fêmur e o acetábulo, como chamamos o “encaixe” da pelve. Esta articulação permite movimentos especiais, que possibilitam a caminhada ereta do ser humano.

A cada passo, há uma carga em um dos quadris, que é de três a quatro vezes o peso corporal. O choque no quadril é absorvido pelos ligamentos e músculos do quadril e da região lombar.

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uma espessa camada de cartilagem na cabeça femoral e no encaixe, que requer lubrificação constante para diminuir o desgaste através do movimento. Na artrose da articulação do quadril, essa camada de cartilagem vai gradualmente sendo desgastada.

Os sintomas começam de maneira suave com dor na região da virilha que pode se irradiar para a região glútea e, com a progressão da artrose do quadril, ocorre forte dor e restrição de movimento.

Na evolução, a dor pode aparecer durante as atividades da vida diária e existe real comprometimento da performance esportiva. Movimentos como calçar sapatos, cortar as unhas dos pés e entrar e sair do carro começam a se tornar um pouco mais difíceis devido à perda do movimento articular.

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Com a piora do quadro, as dores noturnas e a rigidez matinal surgem. Nesta fase já mais avançada, começa a perda real da qualidade de vida, quando a pessoa deixa de fazer o que lhe dava prazer.

Inicia-se o tratamento com fisioterapia e, se possível, com hidroterapia, procurando fortalecer a musculatura regional e manter o arco de movimento. Exercícios de impacto devem ser evitados. A perda de peso também tem papel importante no tratamento, já que o quadril suporta múltiplos do peso corpóreo.

O tratamento definitivo é a artoplastia total de quadril, cirurgia na qual toda a articulação é substituída pela prótese, composta por liga de titânio-cromo-cobalto.

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Apesar do design das próteses ter evoluído muito nos últimos anos e de permitir o retorno ao esporte em alguns casos, acredita-se que quanto maior o impacto, maior a chance da evolução para a soltura. Por isso, quanto mais tempo de se protelar a cirurgia for possível, melhor.

E, por este motivo, técnicas alternativas que possam aliviar a dor e manter o individuo ativo têm sido descritas e estudadas.

Ácido hialurônico

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Em 1934, os pesquisadores Karl Meyer e John Palmer isolaram o ácido hialurônico (HA) em seres humanos, identificando-o como um produto da matriz extracelular de muitos tecidos maduros, incluindo o líquido sinovial. No início da década de 1960, criou-se a ideia de que a suplementação com HA poderia melhorar as propriedades dos fluídos sinoviais e tratar a dor articular. Pouco tempo depois, foram publicados os primeiros estudos sobre modelos animais e tentativas de tratar com uso de HA. Em 1997, o HA recebeu a aprovação da Food and Drug Administration (FDA) nos EUA para ser usado em seres humanos.

No início dos anos 2000, o produto começou a ser utilizado em maior escala em portadores de artrose, principalmente no joelho, sendo a molécula inicialmente de alto peso molecular.

Nos últimos 15 anos, estudos mostraram que molécula de médio e baixo peso traziam os chamados efeitos “condroprotetores” por melhorar o ambiente fisiológico de uma articulação osteoartrítica, restaurando a viscoelasticidade, reduzindo a fricção e melhorando a mobilidade.

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Por este motivo, começou a ser utilizada em outras articulações do corpo. Dentre elas, no quadril, acreditando-se que a injeção direta de ácido hialurônico no espaço articular permitiria atingir uma alta concentração com baixas doses, aumentando a permanência na articulação, com melhor resposta terapêutica.

Isso trouxe grande controvérsia ao meio cientifico, levantando-se a questão: “essa amenização de sintomas e o retorno ao esporte não poderiam levar a uma destruição ainda maior do quadril?"

Para responder a essa pergunta, alguns estudos de suma importância foram publicados nos últimos três anos em revistas cientificas de renome como a American Journal of Sports Medicine.

Os resultados sugerem que o alívio da dor obtido a partir de uma injeção de quadril intra-articular suporta um diagnóstico de artrose e que tem melhores resultados nos casos iniciais, com casos de alívio terapêutico em até a 12 meses; e que a resposta negativa a curto prazo seria um indicativo da real necessidade de uma prótese total de quadril.

Lembrando que a infiltração do quadril deve sempre ser guiada por ultrassom, não só para reduzir o risco de uma lesão de artéria, nervo e veia femorais, mas também para que o ortopedista se certifique de que o produto foi realmente infundido dentro da articulação. Infiltrações realizadas “às cegas” podem causar extravasamento extra-articular e causar muita dor e desconforto, que podem perdurar por semanas.

Referências:
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Fonte: Eu Atleta



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