Você é geneticamente predisposto a viajar?

Você é o tipo de pessoa que volta de uma viagem com a próxima em mente? Topa comer insetos na Tailândia, entrar uma gaiola submarina para observar tubarões no México ou descer a Estrada da Morte na Bolívia? Não entende como algumas pessoas conseguem passar a vida no mesmo lugar? Seu grande sonho é conhecer todos os países do mundo e o passaporte é o único documento que você não deixa expirar de jeito algum?

Talvez essa vontade incessante de viajar esteja gravada nos seus genes. O ser humano é uma das espécies mais curiosas e exploradoras da Terra. Não à toa, existe um termo em alemão que define exatamente esse ímpeto por estar sempre de malas prontas: wanderlust.

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Alguns cientistas relacionam a propensão a mudar de emprego, ser promíscuo, experimentar drogas e comprar passagens de última hora para um destino exótico a um gene conhecido como DRD4-7D, presente em 20% da população.

O pesquisador Richard Paul Ebstein, professor de psicologia da Universidade Nacional de Singapura, estuda há mais de 20 anos a relação entre o DRD-7D e a tomada de riscos no mercado financeiro e defende que existe conexão entre a presença do gene e comportamentos aventureiros.

“Temos evidências para sugerir que o mesmo alelo [variação do gene] responsável pela impulsividade e pela busca de novidades está relacionado com a tendência de se colocar em situações financeiramente arriscadas. As pessoas que têm esse alelo parecem estar mais propensas a desafios”, afirmou em entrevista ao Telegraph.

A genética do prazer e do risco

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O gene DRD é receptor de dopamina, um neurotransmissor que atua no controle de movimentos, memória e prazer. Comer uma comida gostosa, jogar e fazer sexo são situações que estimulam os efeitos da dopamina no organismo – e quanto mais você sente prazer, mais você quer. Esse neurotransmissor também é responsável pela ativação de outras substâncias como a adrenalina, o hormônio do frio na barriga.

O gene wanderlust DRD4-7R, como foi apelidado, é uma variante do DRD4. Segundo a teoria, as pessoas que tiverem essa variação genética são menos sensíveis à dopamina e, provavelmente, buscarão experiências mais intensas para liberarem a substância.

Além da propensão ao risco e a comportamentos desbravadores, o alelo 7R presente no gene dos globetrotters também está relacionado a transtornos psiquiátricos, TDAH, alcoolismo e dependência de drogas.

A bióloga Dawn Maslar, da Universidade de Kaplan, nos Estados Unidos, estuda os efeitos da dopamina no cérebro e também acredita na correlação entre o DRD4-7R e o número de carimbos no passaporte. Em entrevista à Condé Nast Traveler, Maslar explica que a distribuição desigual desse gene entre os povos pode ser um resultado evolutivo da história recente da humanidade.

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“Vemos uma proporção maior do gene DRD4-7R em norte e sul americanos, pelo menos em descendentes de europeus que vieram para a região e por aqui ficaram, o que faz todo sentido se pensarmos em termos de evolução”.

Outros estudos também relacionaram a variante genética com a migração. Uma pesquisa da Universidade da Califórnia realizada em 1999 corrobora com a teoria do gene wanderlust: o estudo mostra que o alelo 7R prevalece mais em culturas migratórias do que em povos fixos. Investigações que partiram dessa premissa sugerem, inclusive, que as pessoas que o têm em seu código genético conseguem se adaptar ao estilo de vida nômade com mais facilidade.

Mas para ser mochileiro não basta apenas ter o 7R. Assim como a cor dos olhos ou o formato do cabelo, um só gene não define sozinho os atributos de alguém, por isso é importante que haja interações genéticas para se tornar um verdadeiro desbravador.

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E, claro, também são necessárias algumas características que não constam em artigos científicos sobre evolução ou vício em dopamina: dinheiro no bolso, senso de localização, algum conhecimento em línguas estrangeiras e, como Douglas Adams já dizia, uma toalha.

Você conhece alguém que carrega esse gene? Compartilhe com ele essa informação!

Fonte: Exame.com




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