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Veja como uma lesão no joelho pode alterar a atividade cerebral

Lesões no joelho são muito comuns em esportes de alto impacto, como o futebol, e costumam levar um longo tempo para curar-se. O paciente fica com o movimento comprometido e precisa ser submetido a sessões de fisioterapia para retomar o funcionamento normal da articulação. Uma das causas para a demora na recuperação é a complexidade da estrutura do joelho, além do uso constante dele.

Porém, pesquisadores da Ohio State University, nos Estados Unidos, descobriram um novo fator que deve ser levado em conta no tratamento dessas lesões: elas causam mudanças na atividade cerebral.

O estudo foi publicado neste mês, na revista Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, por pesquisadores do Centro Médico Wexner, integrado à Ohio State. Eles demonstraram que partes do cérebro associadas ao movimento da perna estavam debilitadas em pacientes com lesões no ligamento cruzado anterior (LCA).

Por meio de exames de imagem, a equipe detectou diferenças na atividade cerebral entre adultos saudáveis e em recuperação enquanto moviam o joelho.

“O cérebro muda fundamentalmente o modo como processa informações de um joelho lesionado”, disse Dustin Grooms, um dos pesquisadores que conduziram o estudo. “Achamos que essas mudanças têm um papel fundamental no porquê de as pessoas em recuperação de ferimentos não confiarem inteiramente em seus joelhos e tenderem a movê-los de maneira diferente”, complementou.

Exames de varredura no cérebro mostraram que, ao se locomover, em vez de confiar no movimento ou na sua noção espacial, os voluntários lesionados apostavam mais na visão, gerando um movimento menos natural e instintivo do que o feito por aqueles que não tinham sofrido lesões no joelho.

“É como andar no escuro. Você não faz tão rápido ou com tanta confiança”, ilustrou Jimmy Onate, pesquisador em saúde e reabilitação no Centro Médico Wexner.

“Esses indivíduos podem estar fazendo a mesma coisa. Não se movem com muita confiança e usam constantemente informações visuais do mundo ao redor, quando na verdade eles não precisam disso.”

A dependência constante da visão para se mover pode causar complicações, principalmente em esportes complexos. Indivíduos que sofreram a lesão e tentam voltar à ativa têm de 30 a 40 vezes mais chance de lesionar pela segunda vez o ligamento, comparadas aos praticantes da mesma atividade que nunca feriram o joelho, alertam os pesquisadores.

“Um grande problema é que as pessoas voltam a jogar ou retornam as suas atividades habituais após uma concussão, mas não há uma boa medida para saber se o cérebro delas voltou ao normal. Estamos tentando desenvolver uma medida usando imagens cerebrais”, contou Grooms, em comunicado. Terapeutas têm usado óculos estroboscópicos, que incluem o aprendizado e compensações visual-motoras na reabilitação. Outra linha de pesquisa é o uso de realidade virtual. Como um avatar, a tecnologia captura e registra o movimento de um paciente a fim de melhorar as habilidades de andar, correr e reduzir os riscos de lesões.

“Verificamos que é preciso muito pouco para alterar o sistema nervoso, e isso pode acontecer muito rapidamente. Nós sabemos como o cérebro muda com a lesão. Agora, a próxima fase é ver se podemos corrigi-lo com mais reação ou treinamento cognitivo”, adiantou Grooms.

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Fonte: Saúde Plena




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