Uso de "Formol" em Fórmulas de Alisamento de Cabelo conquistou as Mulheres Brasileiras! Vale a pena o Risco?

Criada há cerca de 10 anos, a escova progressiva tornou-se febre entre milhares de mulheres. Trata-se de um método de alisamento, redução de volume dos cabelos e diminuição do frizz que, literalmente, fez e continua fazendo a cabeça das brasileiras.

Mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu desde 2009 o uso excessivo do formol, substância utilizada no procedimento para alisar os cabelos.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a recomendação é de que a concentração de formol não ultrapasse 0,2%. Mas o problema é que muitos salões de beleza ainda insistem em usar o componente em suas fórmulas de alisamento.

Isso porque é o formol o responsável pela impermeabilização dos fios, que resulta no alisamento mais duradouro – é possível ficar 4 meses com o cabelo liso, sem preocupação.

Cristiane Câmara Alves, médica tricologista, especialista em cabelos, explica que o produto pode causar irritação, coceira, queimadura, inchaço, descamação e vermelhidão do couro cabeludo; queda de cabelo; ardência e lacrimejamento dos olhos; alergias; dores de barriga, enjoos e, em casos mais graves, pode provocar até a morte.

“O formol não deixa a oleosidade natural da raiz chegar às pontas e nem que os nutrientes necessários para a saúde capilar e a água penetrem os fios, fazendo com que o couro cabeludo sofra irritações. Além disso, ele retira toda a queratina e proteção dos fios, resultando na queda capilar".

Segundo Cristiane, o uso do formol está entre as principais causas de queda capilar. A calvície, segundo a Sociedade Brasileira para Estudo do Cabelo (SBEC), já atinge 42 milhões de brasileiros entre homens e mulheres. O estresse, a hereditariedade, a genética e a testosterona – hormônio sexual masculino – são algumas das causas.

O ideal para quem quer ter os cabelos lisos, de acordo com a Cristiane Alves, é optar somente por procedimentos seguros, que usem produtos registrados na Anvisa.

“Fuja de fórmulas mágicas pois elas não existem. Entre os efeitos pós-alisamento se encontram: fratura da haste capilar, alopecia cicatricial, síndrome da degeneração folicular, indução de eflúvio de telógeno, queimadura do couro cabeludo e eczema do couro cabeludo”.

Gás Incolor

A médica explica que o formaldeído ou formol é o mais abundante e importante aldeído no ambiente, caracterizando-se por ser um gás incolor com um forte odor irritante, muito solúvel em água, produzindo um hidrato e tendo alta reatividade química. Ele pode ser utilizado para embalsamar cadáveres, na produção de tinta, cosméticos, desinfetantes, corantes, vidros e espelhos, germicidas, fungicidas, explosivos, celulose, corante, borracha artificial e no tratamento de borrachas naturais, entre outras utilidades.

O formol é prejudicial à saúde porque pode causar desde uma irritação no olho até uma leucemia. Os sintomas e sinais causados pela toxicidade do formaldeído são: irritação dos olhos, nariz e garganta, lacrimejamento, dermatite, tosse, espasmos bronquiais, queimadura no nariz, câncer de laringe, aborto espontâneo, leucemia e aumento de até 34% de chance de adquirir esclerose múltipla. Os derivados de formaldeído e o próprio formaldeído são usados em shampoos, condicionadores e outros cosméticos como conservantes em uma baixa concentração. Podem causar dermatite de contato com coceira e vermelhidão”, alerta a médica.

“O formol é indicado para fortalecer as unhas, sendo utilizado a 5% na base e contraindicado quando utilizado em alisamentos, escova progressiva, botox capilar e diversos nomes que são criados para driblar a lei e dizer que não existe formol e seus derivados. No cosmético, o formol e seus derivados podem ser substituídos por outros conservantes, como os parabenos, mas poderíamos ter como efeito adverso distúrbios endócrinos. No momento, está se explorando os efeitos bacteriostáticos e fungiostáticos dos antioxidantes, óleos essenciais e manteigas, a fim de encontrar um conservante de boa eficácia com menor risco de efeitos adversos”, ressalta Cristiane.

Ela ressalta que as pessoas com cabelos cacheados devem usar máscaras, fazer hidratação profunda, usar leave-in, óleo de coco, e nunca usar escova. Pentear os cabelos com as mãos ou com pente de baixo para cima. Usar sempre toalha de algodão ou uma blusa para secar o cabelo e, antes de dormir, separe o cabelo em mechas, torça e prenda.

“O fato de ser certificado pela Anvisa não garante nada. Infelizmente, todos esses produtos estão registrados naquele órgão como grau 1, ou seja, o mesmo grau do condicionador, shampoo e máscaras que a pessoa usa. Esse processo de liberação do registro é feito pela internet, por meio de um formulário eletrônico. Ou seja, basta que a marca informe qual é a composição, solicite o registro como tratamento para os cabelos, pague as taxas e assine um termo dizendo que se trata apenas de um tratamento. Assim, não podemos garantir segurança para o consumidor ou profissional”, alerta a especialista.

Será que vale a pena ter cabelos lisos e leucemia ou esclerose múltipla? Será que vale a pena arriscar a ficar careca? Pense bem!

Fonte: Saúde Plena




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