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Um Coquetel Químico Perigoso mora na Poeira da sua Casa. Veja!

A alergia à poeira afeta milhares de pessoas em todo o mundo. Mas os ácaros presentes na sujeira não são as únicas ameaças à saúde. Um novo estudo indica que a poeira de casa pode conter dezenas de resíduos de produtos químicos potencialmente nocivos para o corpo humano.

Utensílios de uso doméstico, produtos de limpeza, de higiene pessoal e cosméticos, móveis e televisores, panelas antiaderentes e até mesmo os revestimentos de paredes e pisos contém substâncias que se desprendem com o tempo e uso e acabam se acumulando no ar e na poeira das casas.

Estes produtos químicos podem entrar em nossos corpos quando respiramos e tocamos superfícies contaminadas ou quando acidentalmente os transferimos para nossa comida e boca através das mãos (ainda que elas não pareçam sujas).

Bebês e crianças são os mais vulneráveis

O problema é que algumas dessas substâncias podem desencadear não apenas alergia, mas também levar ao desenvolvimento de câncer e interferir no correto funcionamento dos hormônios do corpo (a chamada capacidade de disrupção endócrina).

Bebês e crianças são os mais expostos, por estarem em fase de desenvolvimento e em contato frequente com o chão.

A análise de fôlego foi conduzida por um time de pesquisadores de instituições de peso, da Universidade de Harvard, Universidade George Washington, Universidade da Califórnia em São Francisco e o Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (NRDC) e do Silent Spring Institute.

Em uma investida inédita, os cientistas analisaram amostras de poeira de residências em 14 estados americanos e cruzaram com os dados de mais de 26 artigos cientificos revisados por especialistas sobre produtos químicos comuns presentes no cotidiano.

Os resultados, publicados na revista Environmental Science & Technology, identificaram 45 substâncias químicas potencialmente tóxicas encontradas em artigos de uso doméstico cotidiano. Elas foram reunidas em 5 grandes classes presentes na poeira de casa. Veja abaixo:

1. Ftalatos

O que é: a classe com a maior concentração foi a dos ftalatos, que são usados para fazer plástico mais macio e flexível, especialmente de vinil (PVC) para materiais como pisos e persianas e embalagens de alimentos, utensílios médicos (como cateteres, bolsas de sangue e de soro), itens infantis (brinquedos para apertar, colchonetes para troca de fraldas, mordedores) e embalagens (filme transparente, garrafas descartáveis). Eles também podem ser encontrados em produtos de cuidados pessoais e produtos perfumados.

Risco para a saúde: esse grupo de compostos é tido como cancerígeno, podendo causar danos ao fígado, rins e pulmão, além de anormalidade no sistema reprodutivo.

Número total de produtos químicos dessa classe identificado pelo estudo: 8

Exemplos: DEHP (ftalato de di-2-etil-hexilo); BBzP (butil benzil ftalato).

2. Retardadores de chama

O que é: grupo de compostos amplamente utilizados para inibir ou retardar a propagação de chamas. No uso comercial, são aplicados como aditivos em espumas de poliuretano usadas em colchões, estofamento de móveis, automóveis e carpetes. Eles também estão presentes em computadores e outros equipamentos eletroeletrônicos e em polímeros utilizados em adesivos, isolantes de fios, invólucros para televisores e computadores e em alguns tecidos.

Ameaças à saúde: estudos epidemiológicos na Europa e nos EUA têm mostrado déficits de desenvolvimento neurológico em crianças com aumento da exposição pré-natal a esses compostos.

Número total de produtos químicos dessa classe identificados no estudo: 15

Exemplos: TCEP (Tris (2-cloroetil) fosfato); BEH-TEBP (um tetrabromophthalate)

3. PFCs (compostos perfluorados)

O que é: compostos com propriedades únicas para a produção de materiais resistentes a manchas, óleos e água, e largamente usados em diversas aplicações como impermeabilizantes e antiaderentes.

Onde é encontrado: utensílios de cozinha, panelas com revestimentos antiaderentes; embalagens de pipoca para microondas e embalagens de de fast-food, tecidos e tapetes tratados para ficarem impermeáveis a líquidos e resistentes à manchas, móveis, revestimentos de papel, etc.

Ameaças à saúde: potencialmente tóxicos, interferem no sistema imunológico e endócrino.

Número total de produtos químicos dessas classe identificados no estudo: 11

Exemplos: PFOA (ácido perfluorooctanóico); PFOS (ácido perfluorooctanessulfônico)

4. Fragâncias sintéticas

O que é: utilizadas como perfume em uma ampla variedade de produtos, incluindo produtos de higiene pessoal, perfumes, velas e purificadores de ar.

Risco à saúde: Podem desencadear alergias e alterações hormonais.

Número total de produtos químicos dessa classe identificados no estudo: 1

Exemplo: HHCB (galaxolide)

5. Fenóis

O que é: uma classe de conservantes amplamente utilizados em produtos cosméticos e de limpeza. São baratos e uma pequena quantidade é suficiente para cumprir a sua função.

Risco à saúde: podem irritar as membranas mucosas e imitar o comportamento do estrogênio (hormônio feminino), levar à puberdade precoce e problemas reprodutivos.

Número total de produtos químicos dessa classe identificados em nosso estudo: 10

Exemplos: PEM (metil parabeno), BPA (bisfenol A)

Confira medidas para enxotar a poeira tóxica

O estudo afirma que os governos e as empresas devem promover políticas para eliminar produtos químicos perigosos e substituí-los por alternativas mais seguras. Esse é um debate que tem crescido em todo o mundo. Estados Unidos, Canadá e a União Europeia estão revendo suas regulações de produtos químicos à luz dos novos riscos evidenciados em pesquisas científicas.

O assunto também começa a ganhar destaque no Brasil, que colocou para consulta pública, até 28 de setembro, o anteprojeto de Lei que dispõe sobre o cadastro, a avaliação e o controle de substâncias químicas.

Mas o que é possível fazer em casa para minimizar os riscos?

De acordo com o estudo, ações simples de limpeza podem ajudar a reduzir a exposição a essas substâncias.

Uma dica é lavar as suas mãos e as mãos das crianças com frequência, e principalmente antes de comer. Use sabão comum e água, evite sabonetes perfumados e antibacterianos, que mais prejudicam do que ajudam (os EUA proibiram recentemente os sabonetes que “matam até 99,9% das bactérias”).

Procure manter a casa limpa e sem acúmulo de poeira. Na hora da limpeza, prefira usar um pano úmido no lugar da vassoura, para não levantar pó, ou ainda usar um aspirador com um filtro de alta eficiência (HEPA), que não deixa a poeira escapar de jeito nenhum.

E, por fim, mas não menos importante, na medida do possível, busque alternativas mais seguras aos produtos de uso diário, que não contenham os químicos sintéticos de risco listados no estudo.

Fonte: Exame



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