Testes de Medicamentos precisam de Transparência para Manter a Confiança na Medicina

Dezenas de milhões de pessoas tomaram Vioxx contra a artrite entre os anos de 1999 e 2004 - e dezenas de milhares provavelmente tiveram um ataque cardíaco como resultado. Foi uma história semelhante com a droga antidiabética Avandia. Em ambos os casos, os fabricantes dos medicamentos foram acusados de reter dados de ensaios clínicos que teriam revelado os riscos para médicos e pacientes.

O acesso aos dados está no centro de muitas controvérsias na medicina moderna - não apenas quanto ao uso de remédios, mas também de tratamentos (como exercícios para a síndrome da fadiga crônica) e programas de triagem (para o câncer de mama em mulheres mais jovens, por exemplo).

Os grandes ensaios clínicos são difíceis de organizar e, portanto, os cientistas envolvidos geralmente mostram muitos ciúmes em relação aos dados que geram.

À medida que a medicina preventiva se tornou mais comum, aumentaram as preocupações de que podemos não estar tomando conhecimento de evidências importantes sobre os efeitos de drogas dadas a um grande número de pessoas.

Estatinas

As estatinas - administradas para controlar os níveis de colesterol nas pessoas consideradas em risco de ataques cardíacos - são a bola da vez, e agora estão sob escrutínio cerrado.

Estranhamente, os ensaios clínicos realizados para avaliar a eficácia das estatinas não focalizaram os possíveis efeitos colaterais adversos. Os médicos e pesquisadores mais preocupados com estes efeitos - a dor muscular debilitante é muitas vezes citada - até agora não conseguiram ter acesso aos dados. Outros críticos dizem que não há provas suficientes para a prescrição em massa das estatinas.

Isso provocou uma guerra furiosa de palavras entre os cientistas que têm acesso aos dados. Eles afirmam que a propriedade complexa e as condições de uso significam que os dados não podem ser amplamente divulgados.

Esse é um problema familiar: questões semelhantes acompanharam a liberação dos dados brutos do julgamento PACE 2011, sobre tratamentos da síndrome de fadiga crônica, que um tribunal finalmente ordenou fossem liberados no ano passado.

Medicina baseada em evidências

Assim, a controvérsia sobre as estatinas, seja bem fundamentada ou não, se desenrola sem resolução à vista, prejudicando a confiança na medicina.

Isto simplesmente não é bom para ninguém. Quando se trata de tratamentos para milhões de pessoas, os dados devem ser recolhidos com vistas à sua eventual liberação. Isso não será fácil, mas a medicina baseada em evidências não pode conviver com nada menos do que isso.

Fonte: Diário da Saúde




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