Silenciosa e Fatal! O que é Endocardite Bacteriana?

A endocardite bacteriana é uma inflamação nas válvulas cardíacas que impedem o perfeito fluxo do sangue. Ela é causada pelo acúmulo de bactérias no endocárdio, tecido que envolve internamente o coração.

Estas bactérias estão comumente presentes na boca, que de alguma forma chegam ao coração! Pode surgir de uma simples dor de dente!

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Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), quando ela tem foco dentário, é responsável por 10% dos casos de morte, de vítimas do coração, em todo o mundo. O INCOR registra a cada mês de 10 a 12 pacientes com endocardite.

Então ATENÇÃO se você tem aquela restauração do dente quebrada, um dente aberto ou aquela gengiva doente e inflamada que sempre sangra e mesmo assim você SEMPRE tem uma desculpinha para NÃO ir ao dentista porque tem outras prioridades e acha que custa caro...CUIDADO, porque o dente pode ser a Porta para a bactéria chegar ao coração de maneira silenciosa e FATAL!

A endocardite, assim como a maioria dos problemas que atingem o coração, pode gerar várias complicações, como infarto, insuficiência cardíaca, danos a outros órgãos e tecidos e, ainda, infecções em outras partes do corpo, como no cérebro, rins, baço ou fígado.

Tipos de endocardite bacteriana

1. Endocardite bacteriana aguda

Geralmente causada pela bactéria Staphylococcus aureus, é mais comum em indivíduos que utilizam drogas intravenosas, porque esta bactéria encontra-se presente na superfície da pele, e as constantes "picadas na pele" com seringas sujas permitem sua chegada à corrente sanguínea. Ela evolui rapidamente, podendo afetar o cérebro, pulmões, fígado e rins, podendo levar a morte em apenas seis semanas.

2. Endocardite bacteriana subaguda

Normalmente é causada por Streptococcus viridans, Enterecoccus sp., Staphylococcus sp. ou bacilos gram-negativos. Evolui mais lentamente, podendo persistir por até um ano. Ela é mais comum em indivíduos que possuem piercings na boca ou em caso de câncer no sistema digestório, especialmente em caso de câncer de intestino.

Como acontece a Endocardite

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Endocardite acontece quando germes entram na corrente sanguínea, viajam até o coração (normalmente com alguma condição de saúde pré-existente) e se ligam às suas válvulas ou tecido.

Na maior parte dos casos a infecção é causada por um grupo de bactérias, mas fungos ou outros microrganismos também podem ocasionar a doença.

O agente infeccioso entra na corrente sanguínea através de:

  • Atividades como escovar os dentes ou mastigar alimentos, especialmente se os dentes e gengivas não são saudáveis.
  • Áreas com infecções, seja uma infecção de pele, intestino, ou até uma doença sexualmente transmissível.
  • Cateteres ou agulhas.
  • Uso de drogas injetáveis.
  • Uso de piercings na boca ou na língua.
  • Cirurgias e alguns procedimentos odontológicos.

Quem corre mais risco de desenvolver a doença

  • Pessoas com problemas nas válvulas cardíacas.
  • Válvulas artificiais no coração.
  • Pacientes com defeitos congênitos no coração.
  • Com outros problemas cardíacos.
  • Pacientes com alto índice de cáries e problemas periodontais.
  • Com histórico de uso de drogas injetáveis.
  • Os indivíduos mais propensos a sofrer de endocardite bacteriana são pacientes com baixa imunidade.

Quais são os sintomas

  • Febre e calafrios;
  • Sopro no coração;
  • Fadiga;
  • Dor nos músculos e articulações;
  • Sudorese noturna;
  • Respiração curta;
  • Palidez;
  • Tosse persistente;
  • Perda de peso não intencional;
  • Sangue ou outras alterações na urina;
  • Suor nos pés, pernas e abdômen;
  • Nódulos de Osler: que são pontos vermelhos dolorosos em baixo da pele dos dedos;

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  • Petéquias: que são pequenas manchas roxas ou vermelhas na pele, ou manchas brancas nos olhos e/ou dentro da boca.

Exames que podem auxiliar no diagnóstico da doença

  • Exames de sangue, para verificar a presença de bactérias
  • Ecocardiograma transesofágico, que permite ao médico chegar mais próximo às válvulas cardíacas.
  • Eletrocardiograma

Relação entre Endocardite e Odontologia

As implicações da gengivite e da periodontite seguem basicamente o seguinte caminho: inflamados, os tecidos se tornam irritáveis e sangram durante a mastigação, pela ação da escova de dentes ou do fio dental. Essa hemorragia, por sua vez, possibilita que os micróbios que desencadearam o processo entrem na corrente sanguínea e cheguem a outras partes do organismo. É relativamente fácil que isso aconteça porque a gengiva e o periodonto têm irrigação sanguínea abundante.

Por este motivo, a endocardite bacteriana está mais presente em vítimas de doença periodontal.

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Para evitar esse mal as sociedades americanas de cardiologia e odontologia estabelecem que, antes de se submeter a uma cirurgia na boca, todo paciente propenso a ter uma endocardite bacteriana deve tomar, uma hora antes, uma dose de antibióticos. O objetivo é evitar os riscos de infecção durante a operação.

Profilaxia da endocardite

A profilaxia da endocardite é feita nos indivíduos que possuem alto risco de desenvolver endocardite, como:

  • Indivíduos com válvulas artificiais;
  • Pacientes que já tiveram endocardite;
  • Indivíduos com doença das válvulas que já fizeram um transplante de coração;
  • Pacientes com doenças cardíacas congênitas.

Antes de algum tratamento dentário, o dentista deverá orientar o paciente a tomar 2g de amoxicilina ou 500mg de azitromicina pelo menos 1 hora antes do tratamento. Em alguns casos o dentista deverá orientar o uso de antibióticos por 10 dias antes do início do tratamento dentário.

Tratamento da Endocardite

O tratamento de endocardite normalmente se dá com o uso de antibióticos fortes, geralmente intravenosos, durante 4 ou 6 semanas. A escolha do antibiótico é feita de acordo o tipo de bactéria que causou a endocardite.

A duração do tratamento vai depender da sua intensidade, de quão severa foi a infecção e da resposta do organismo contra a bactéria.

Em alguns casos, dependendo de quanto a válvula já foi danificada, pode ser necessário realizar uma cirurgia no local.

Como prevenir a Endocardite

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  • Para ajudar a prevenir endocardite é muito importante ter uma boa higiene, principalmente bucal.
  • Evite procedimentos que podem gerar infecções como tatuagens e piercings.
  • Procure cuidados médicos sempre que tiver algum problema de pele ou corte que infeccionar.
  • Em alguns casos, pode ser necessário o uso de antibióticos como prevenção à procedimentos odontológicos que aumentam os riscos de infecção e, consequentemente, de desenvolver endocardite.

Endocardite bacteriana mata! Seguindo dados da OMS, a doença é responsável por uma alta morbidade e por significativas taxas de mortalidade. Em torno de 20% dos doentes não sobrevivem. Porém, quando a endocardite bacteriana tem foco dentário ela chega a ser responsável por cerca de 10% dos casos de morte, de vítimas de doenças no coração, em todo o mundo.

O Incor, que é um centro de referência na doença, registra a cada mês, 10 a 12 pacientes com endocardite. Cerca de 40% destes casos têm origem bucal.

A endocardite é uma doença de alta morbidade e letalidade, apesar do avanço no diagnóstico clínico, do advento de novos tipos de antibióticos e do aperfeiçoamento de técnicas cirúrgicas. A padronização de critérios clínicos e laboratoriais de diagnóstico e a uniformização de condutas terapêuticas são estratégicas para melhorar o impacto da doença.

Fonte: Ortoblog




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