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Será que um Remédio pode Curar a Pedofilia?

Um grupo de cientistas suecos lançou uma campanha de crowdfunding – espécie de “vaquinha virtual” – para financiar a investigação sobre um potencial tratamento preventivo da pedofilia.

Os pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, apresentaram a proposta de um ensaio clínico abrangente de uma droga que – esperam – pode reduzir a possibilidade de abuso sexual infantil.

“Estima-se que uma em cada 10 meninas e um em cada 20 meninos sejam molestados na infância”, explica o médico Christoffer Rahm, chefe de pesquisa.

“Algo que é frequentemente esquecido é que muitos pedófilos querem ser ajudados. Mas não existem tratamentos preventivos cientificamente testados e toleráveis, o que é algo notável, tendo em vista a prevalência do problema. Há, portanto, uma necessidade urgente de mais investigação sobre esse tema”, diz ele.

A pesquisa pretende analisar 60 voluntários que tenham solicitado ajuda. Para metade deles será fornecido um placebo, e a outra metade receberá um medicamento hormonal chamado Dragelix, que bloqueia a produção de testosterona e, atualmente, é utilizado no tratamento de câncer de próstata.

Os pesquisadores acreditam que a testosterona atua sobre três fatores de risco relacionados à pedofilia: na alta excitação sexual, no baixo auto controle e na falta de empatia. Nem os pacientes, nem os médicos saberão quem está no grupo de controle e que irá receber a medicação ativa.

Segundo Stefan Arver, um dos médicos que participam do projeto, a ideia é evitar futuros estupros por parte do autor. “90% dos casos de abuso infantil vêm de novos autores”, diz ele. “Por isso é tão importante prevenir os abusos”.

O próprio Instituto Karolinska, na Suécia, lançou uma linha telefônica de apoio chamada Preventell, que atende centenas de pessoas por ano. “Isso nos permite identificar pessoas preocupadas com sua própria sexualidade, gente que precisa de ajuda”, diz Arver. “Mas não o suficiente para um número de telefone; você precisa de um programa de tratamento”.

Limitações

Os pesquisadores também reconhecem as limitações do tratamento exclusivamente medicamentoso. A resposta deve incluir, por exemplo, outros métodos, como a psicoterapia ou a intervenção social.

O estudo, chamado “Priotab”, também tem como objetivo pesquisar biomarcadores relacionados à pedofilia.

“Isso é para verificar se os receptores do cérebro detectam o risco de abuso”, explica Christoffer Rahm.

Para realizar o projeto, a equipe acionou um site de crowdfunding com o objetivo de levantar um total de 38 mil libras em doações. Se os pesquisadores tiverem sucesso, o estudo pode ser concluído em dois anos.

“Priotab”

O projeto levanta questões sobre ética médica e confidencialidade, além do dever do médico de ir à polícia se um paciente afirmar ter cometido um crime relacionado à pedofilia.

Entidades analisam método como "cruel"

Entidades de direitos humanos costumam se manifestar contra a castração química de pedófilos por considerá-la uma punição cruel.

O uso prolongado e excessivo dos hormônios femininos tem vários efeitos colaterais nos homens.

“Esses efeitos não são completamente previsíveis”, afirma o psiquiatra Aderbal Vieira Júnior. “Quem se submete a um tratamento como esse pode não recuperar o nível de desejo ou o funcionamento do aparelho sexual. Além disso, os hormônios femininos podem bagunçar outras partes do corpo, como os ciclos endócrinos e até mesmo o temperamento”.

Os distúrbios mais comuns são diabetes, aumento da pressão arterial, perda de massa muscular, atrofia da genitália e crescimento das mamas. O mais grave é o câncer hepático.

Outro argumento contra a adoção da castração química é o de que nem sempre é o pedófilo quem comete um crime de abuso sexual com crianças. A maioria dos delitos desse tipo é cometida por amigos e familiares, que não nutrem um desejo por crianças em geral.

Um estudo realizado pela Vara da Infância e de Juventude do Distrito Federal mostra que 71% dos agressores são membros da família.

“Sabemos que a violência sexual contra crianças acontece mais por uma questão de conveniência, de hábitos culturais, de relações de poder, que por uma patologia”, afirma Viviane dos Santos Amaral, professora da Universidade de Brasília e psicóloga.

Segundo Aderbal, existem outros medicamentos que ajudam os pedófilos a controlar o impulso sexual sem tantos efeitos colaterais. São antidepressivos da família da fluoxetina, que têm como efeito colateral a redução da libido.

Fonte: O Tempo



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