Problema nos Olhos pode ser a Origem da Dislexia

Cientistas franceses descobriram uma possível causa da dislexia, problema que acomete cerca de 700 milhões de pessoas no mundo, o equivalente a 10% da população.

Comparando 30 estudantes, um grupo disléxico e outro não, eles detectaram que, no primeiro, há diferenças na forma e nos mecanismos de células oculares receptoras de luz, envolvidas na visão.

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Segundo a equipe, aparentemente, a alteração poderia ser tratada. Detalhes do estudo foram divulgados na revista Proceedings of the Royal Society B.

"Nossas observações nos permitem pensar que encontramos uma causa potencial da dislexia. Tanto para as crianças quanto para os adultos, o diagnóstico é relativamente simples", ressaltou Guy Ropars, um dos autores do estudo e pesquisador da Universidade francesa de Rennes, em entrevista à agência France-Presse.

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Em indivíduos sem a disfunção que compromete a leitura, as células oculares receptoras de luz não têm a mesma forma em ambos os olhos, ou seja, são assimétricas. No caso dos disléxicos, há simetria nessas estruturas, segundo a análise feita nos 30 voluntários.

Além disso, quando uma pessoa vê uma imagem, o cérebro escolhe o sinal enviado pelo olho dominante - o ser humano tem um que prevalece sobre o outro - para recriá-la.

No caso dos disléxicos, a simetria impede o cérebro de escolher entre os sinais enviados pelos olhos, o que explicaria a confusão que esses indivíduos fazem ao ler e escrever.

Tratável

Os investigadores acreditam que essas descobertas poderão ajudar no diagnóstico da doença, tanto em crianças quanto em adultos, por meio de um exame relativamente simples, de observação dos olhos.

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A pesquisa abre a possibilidade também de criação de abordagens terapêuticas. "Descobrimos que há um intervalo de tempo entre a imagem primária (vista pelo olho) e a imagem-espelho (recriada pelo cérebro). Isso nos permitiu desenvolver um método, para borrar a imagem-espelho que confunde tanto os disléxicos, utilizando uma lâmpada LED", explicou Ropars.

O tratamento experimental se deu pelo uso de uma lâmpada LED piscando de forma extremamente rápida, invisível de ser vista a olho nu, na frente do paciente. Dessa forma, pôde-se "cancelar" uma das imagens no cérebro de disléxicos durante a leitura.

Os testes iniciais resultaram em melhora no desempenho dos voluntários, mas os investigadores ressaltaram que novos estudos são necessários para confirmar a eficácia do método e sinalizaram que há a possibilidade de uso de mais intervenções.

"Existem outras possibilidades de tratamento para compensar essa simetria utilizando a plasticidade do cérebro (a capacidade do órgão de se remodelar). Certamente, elas poderão ser adaptadas pelos médicos", afirmou Ropars.

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Fonte: Correio Braziliense




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