Pressão provoca “Surto de Suicídio” entre Estudantes de Medicina da USP

Professores e alunos de medicina da USP estão preocupados e se uniram para combater um problema sério que está atingindo os universitários: só em 2017 foram registrados pelo menos 6 casos de tentativa de suicídio entre os alunos do quarto ano do curso, metade deles ocorreram nas últimas semanas.

Um grupo se reuniu e pintou um mural no subsolo da faculdade como forma de solidariedade a colegas que possam estar passando por problemas como depressão e pensamentos suicidas.

"Esgotamento, ansiedade, depressão, internações psiquiátricas, tentativas de suicídio, mortes. Os relatos dos estudantes nos parecem crescentes em frequência e intensidade, e soam como um pedido de ajuda", diz carta de um grupo de profissionais do serviço de psicoterapia do IPq (Instituto de Psiquiatria da USP), segundo matéria publicada na Folha de São Paulo.

Alunos relatam que, no quarto ano, eles ficam mais vulneráveis porque as pressões se multiplicam. A formatura está próxima e a realidade da profissão vai matando as ilusões dos tempos de calouro. Há um cansaço mental e uma desumanização cotidiana.

Para Francisco Lotufo Neto, professor de psiquiatria, as tentativas de suicídio estão relacionadsa a uma soma de fatores. "São jovens em amadurecimento, enfrentando a entrada numa profissão que tem contato com o sofrimento humano. É um curso difícil, que exige das pessoas. E também tem a pressão pelo sucesso".

Foi instituida uma linha telefônica que funciona 24 horas para onde os alunos podem ligar em situações de emergência.

O suicídio entre estudantes de medicina e médicos tem sido um fenômeno em grande parte não reconhecido por décadas, obscurecido por segredo e vergonha.

Em um estudo de seis escolas médicas, cerca de 1 em cada 4 alunos relataram sintomas clinicamente significativos de depressão. Quase 7% disseram que tinha pensado em acabar com suas vidas nas últimas duas semanas.

Segundo um estudo do Conselho Federal de Medicina, o tipo de morte por causas externas descritas como causa básica de morte de médicos no Estado de São Paulo, de acordo com o gênero, revelou que suicídios ocorrem mais entre as mulheres médicas, representando 3,1% do total de óbitos, enquanto nos homens é de 1,6%. A população feminina de médicas tem uma alta taxa de suicídio, comparada à população geral feminina e mesmo à população masculina de médicos.

Existe grande resistência por parte da população em aceitar que as mesmas pessoas nas quais confia sua saúde podem vir a ter doenças mentais.

Leia também: Suicídio entre médicos assusta o Brasil

Aqui vai a revelação de um segredo lamentável que a maioria dos estudantes de medicina não sabem, até que seja tarde demais: Os médicos são mais propensos a tornarem-se deprimidos, sofrerem de síndrome de burnout e morrerem por suicídio do que outros homens e mulheres na população em geral. Às vezes, a depressão e o suicídio são o resultado de problemas que surgem muito lentamente e vêm de longa data. Outras vezes, eles parecem vir do nada.

É hora de reconhecermos que os médicos que passam tanto tempo de suas vidas cuidando das outras pessoas muitas vezes sofrem em silêncio e necessitam de cuidados, e intervenções eficazes seriam um bom remédio para todos nós.

Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda* ligue para o número do CVV: 141* e procure ajuda especializada.

Fonte: Catraca Livre
Homem contra si mesmo




Receba Dicas de Saúde Grátis

Tenha uma vida mais saudável com nossas melhores dicas e novidades.

Compartilhar no Facebook