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Por Que Algumas Mulheres Comem a Própria Placenta no Pós-Parto?

Tendências de saúde vêm e vão, mas uma moda pós-parto está ganhando força, principalmente nos Estados Unidos, entre algumas novas mães que exaltam os benefícios de comer suas próprias placentas.

Defensores da "placentofagia" argumentam que o órgão - ensanguentado e com aparência que muitos considerariam repulsiva - contém muitos nutrientes e pode ser um alimento precioso para a mãe no momento em que ela se recupera do parto e se prepara para amamentar o bebê.

Uma prática um tanto polêmica nos EUA vem ganhando forças no Brasil: após o parto, as mães comem um pouco da própria placenta. E essa tradição tem várias origens, uma delas afirma que a placenta é extremamente nutritiva e ajuda a mãe a recuperar as forças pós-parto, além de contribuir para a amamentação. Outras fontes afirmam que comer a placenta é algo instintivo dos mamíferos; esse é o melhor jeito de esconder os rastros da cria e evitar predadores na natureza.

A placenta é uma espécie de anexo embrionário, formada por tecidos dos óvulos e responsável por manter o bebê vivo dentro da barriga da mãe. É como se fosse um órgão temporário, como uma bolsa recoberta de sangue, onde a criança pode se alimentar, absorver nutrientes e respirar. O órgão também libera hormônios, dentre os principais: progesterona, gonadotrofina coriônica (hCG), hormônio lactogênio placentário e estrogênio (principalmente o estriol).

As pesquisas mostram que a placenta é rica em ferro (essencial para a absorção de oxigênio nas células), vitaminas B6 (auxilia na fabricação de anticorpos), vitamina E (cura células danificadas nos tecidos/pele), ocitocina (essencial para que o útero volte ao tamanho normal e para a amamentação) e hormônio liberador de corticotropina (CRH) (responsável por reduzir os níveis de estresse).

Apesar disso ainda não existe nenhum estudo que comprove que ingerir a placenta ajuda a diminuir o sangramento pós-parto ou mesmo contrinbui para que o útero volte ao seu tamanho normal mais rápido, nem que a prática enriquece a produção de leite ou previne a depressão pós-parto.

"Pratiquei a placentofagia por ter estudado e compreendido os benefícios dessa prática. Não "comi" a placenta toda, apenas cerca de 1/4 da mesma - imediatamente após expeli-la, nos meus primeiros partos (2003 e 2005). No meu último parto (2012), esqueci de pedir ao médico e lamento muito por isso. Pude perceber o quanto os benefícios da placentofagia são verdadeiros pela falta que fez-me não tê-la comido! Quando comi, me senti mais forte e minha recuperação foi bem mais rápida", afirma a naturopata e doula Nayana Caetano, de Goiânia (GO).

A ingestão da placenta acontece após o acontecimento do parto. Junto ao bebê, o órgão é expelido e removido do corpo da mãe. No caso daquelas que praticam a placentofagia, o médico ou parteira pegam um pouco do órgão e dão para a mãe ingerir e garantir que os nutrientes atuem no organismo.

É importante frizar que apenas equipes humanizadas participam desse processo. Nos hospitais, o comum é descartar a placenta logo após o parto.

A jornalista Roberta Lotti, de São Paulo, comeu a placenta após o seu primeiro parto (2013) com a finalidade de acelerar a cicatrização do corpo. "A parteira havia dito que só seria necessário ingerir um pedacinho, mas como tive uma pequena hemorragia pós-parto, comi seis pedaços para ajudar a estancar o sangramento com mais rapidez. Além da função medicinal, para mim tem a questão ritualística, pois considero a placenta um órgão sagrado que protegeu e alimentou meu filho durante nove meses. Graças a placenta, ele tem a vida! Então ingerir um pedacinho deste órgão é como reverenciar e agradecer, é como a finalização do parto", explica.

Existem vários jeitos de incrementar a placenta ao paladar: "Eu comi com um pouco de shoyo, mas há quem faça sucos também", diz Roberta. Já Nayana afirma: "As variações dos preparos que pode-se fazer a partir da placenta são inúmeros desde sashimis a shakes, passando por picadinho com ou sem cogumelos. Vai da preferência gastronômica de cada um", explica.

Há mães que desidratam a placenta e a ingerem, por meio de cápsulas, durante a amamentação. Nayana faz esta prática e explica como funciona: "A placenta é desidratada vagarosamente (entre 40 e 60ºC) e moída para ser encapsulada".

Por 270 dólares (772 reais), Booker, parteira americana, de Washington, de 65 anos de idade, processa e prepara a placenta, transformando-as em cápsulas. O processo de transformar placenta em pílulas seja, talvez, mais familiar aos cozinheiros do que aos cientistas: ela limpa a placenta, pressiona o sangue e a cozinha em vapor antes de colocá-la em um desidratador, durante a noite. A placenta seca é cortada em tiras e colocada em um moedor de café para se transformar em um pó, que ela coloca dentro de pequenas cápsulas, uma técnica que ela aprendeu com um acupunturista chinês.

Não existem estudos científicos que provem que comer a própria placenta poda trazer benefícios significativos para a saúde, mas isso não impediu que a tendência ganhasse força em alguns círculos, inclusive entre os mais ricos. A atriz Alicia Silverstone já foi uma adepta, bem como January Jones, que participou do seriado ‘Mad Men’.

Mas os pesquisadores estão apenas começando a realizar estudos abrangentes sobre a prática, que surgiu pela primeira vez nos EUA, na década de 1970, de acordo com Daniel Benyshek, um antropólogo de medicina na Universidade de Nevada.

“Acredita-se que os americanos tenham iniciado essa prática, embora placenta seca tenha sido muito utilizada na medicina chinesa, valorizada por curandeiros, por conter qualidades curativas”, disse ele.

Cientificamente provado ou não, muitas mães estão adotando a placentofagia como um ritual essencial pós-parto.

Se você está pensando em fazer algo do tipo ou recomendar a prática a alguém, tome cuidado. O ideal é aguardar os novos resultados científicos e consultar, sempre, um médico especializado.

Fonte: Vila Mulher



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