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Por quê a Terapia Cognitiva Está Ficando Fora de Moda?

Pesquisadores revelam que a "terapia cognitiva", atualmente, é somente 50% eficaz no tratamento da depressão, comparada à sua eficácia na década de 90.

Todo mundo adora a terapia cognitiva. É a maneira simplificada, rápida e relativamente barata para reduzir o sofrimento mental - com nada daquelas besteiras freudianas, e por outro lado com abundância de respaldo científico.

Por isso, foi surpreendente o artigo na revista Psychological Bulletin, que reportou que parece que a TCC (como é conhecida) está ficando cada vez menos eficaz ao longo do tempo.

Depois de analisar 70 estudos realizados entre 1977 e 2014, os investigadores Tom Johnsen e Oddgeir Friborg concluíram que a TCC é cerca de 50% menos eficaz no tratamento da depressão do que costumava ser.

O que está acontecendo?

Uma teoria é que, como qualquer terapia que se torna mais popular, a proporção de terapeutas inexperientes ou incompetentes cresce.

Mas o documento levanta uma idéia mais intrigante: o efeito placebo. A publicidade em torno da TCC fez o método parecer uma cura milagrosa, talvez por isso funcionava bem por um tempo.

Nos dias de hoje, pelo contrário, as chances são de que você conheça alguém que tentou a TCC e milagrosamente não se tornou perfeitamente feliz para sempre.

Nossas expectativas tornaram-se mais realistas, de modo que a eficácia da terapia também caiu. Johnsen e Friborg preocuparam-se com a possibilidade de que o artigo deles piorasse ainda mais a situação, pois diminuiriam ainda mais as expectativas das pessoas com relação ao resultado do tratamento.

Tudo isto evidencia algo ainda mais estranho, porém: quando se trata de terapia falada, o que significa falar do efeito placebo?

Com pílulas, é simples: se eu engolir um comprimido de açúcar, acreditando ser um antidepressivo, e minha depressão reduz, então há uma boa chance de que o efeito placebo é que está no trabalho.

Mas se eu acredito que a TCC, ou qualquer outra terapia é que funciona, e isso realmente acontece, quem pode me dizer se foram as minhas crenças ou a terapia que realmente funcionou?

A crença é parte integrante do processo, não uma explicação real. A linha entre o que eu acho que está acontecendo e o que está realmente acontecendo começa a se confundir. Verdadeiramente, se você se convencer que uma terapia está funcionando, então por definição, ela está funcionando.

Talvez cada época necessite de uma prática em que se possa acreditar como uma cura milagrosa - psicanálise freudiana na década de 1930, TCC na década de 1990, e a meditação mindfulness hoje - até que as pesquisas revelem gradualmente que esta também seja tão falha como qualquer outra.

Ou também pode ser porque nós estamos mudando como pessoas. Em 1958, um psicanalista norte-americano, Allen Wheelis, publicou um livro argumentando que a análise freudiana tinha parado de funcionar por causa do caráter americano que havia se alterado.

Nos dias de Freud, Wheelis argumentou que as pessoas não entendiam porque elas se sentiam tristes, e a psicanálise deu-lhes explicações. E a partir daí puderam viver uma vida transformada. Pessoas modernas ficaram melhor na arte do auto-conhecimento, mas ainda lhes faltava algo para fazer acerca disso de forma prática.

As técnicas antigas não estavam completamente erradas; elas apenas ultrapassaram sua utilidade. Se o segredo da felicidade é difícil de se achar, talvez seja porque a resposta certa continua mudando através dos tempos!

Fonte: Vitor Friary



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