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Pílula Contra o Mosquito da Dengue e Zika: São Carlos poderá tornar-se a 1ª Cidade Livre do Mosquito

O coordenador da rede de cientistas que combaterá o vírus da zika em São Paulo, Paolo Zanotto, afirmou que a cidade de São Carlos, no interior paulista, deverá testar a estratégia mais inovadora no combate ao mosquito Aedes aegypti, que transmite o zika e a dengue.

"A ideia é criar em alguns municípios do Estado um sistema de controle total das doenças. Se funcionar em São Carlos, poderá ser a primeira cidade livre do Aedes no Brasil", disse.

Uma das estratégias para acabar com o mosquito, segundo Zanotto, é o uso de um micro-organismo chamado Bacillus thuringiensis israelensis (BTI), que extermina as larvas do Aedes, mas é inofensivo para vertebrados - e pode até ser ingerido por humanos.

"São pequenas esferas que jogamos nos criadouros. Em menos de 5 horas, o bacilo mata 50% das larvas. Depois disso, a letalidade aumenta, matando quase 100% delas por mais de 10 semanas", explicou.

    Pílula da Fiocruz contra mosquito da dengue aguarda aprovação da Anvisa
    Após anos de pesquisa, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) desenvolveu uma pílula destinada ao combate do mosquito da dengue. O medicamento aguarda aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para poder ser comercializado no país.
    O remédio possui um microrganismo chamado Bacillus thuringiensis israelensis (Bti) que, quando é ingerido pelo mosquito transmissor da doença, impede sua proliferação.
    Colocado em um recipiente com água, o comprimido inviabiliza o criadouro do mosquito por um período de 60 dias.
    “O microorganismo é inofensivo ao homem, e não deixa o mosquito mais resistente. Com inseticidas, os [mosquitos] ficam mais resistentes. Por conta disso e pela segurança que esse produto oferece, o [comprimido] poderá ser vendido em supermercados”, diz Rodrigo Perez, diretor da BR3, em entrevista à Agência Brasil.
    A pílula já possui um preço estimado para ser lançado ao mercado. Na fase inicial, dez doses custarão R$ 30. Cada dose pode ser usada para tratar 50 litros de água. A expectativa é de que o produto seja lançado até o ano que vem.

Zanotto contou que se reuniu ontem com o secretário de Saúde de São Carlos e ficou convencido de que a cidade é ideal para a montagem da estratégia. O município paulista já tem um programa de combate ao mosquito que engaja - e treina - milhares de crianças para controlar os focos.

"Depois de treinadas, elas recebem uma imitação de credencial policial e se tornam vigilantes dos mosquitos na cidade. Vamos integrar a isso o controle biológico: ao encontrar criadouros, as crianças vão aplicar o BTI", disse.

Guarujá

O projeto em São Carlos usará também uma abordagem desenvolvida no Guarujá, litoral paulista, em 2012. Na época, Zanotto liderou um projeto contra o Aedes aegypti depois de ter sido previsto um grande surto de dengue em 2013.

Os pesquisadores da USP acompanharam os casos da doença na região, analisaram a genética do vírus e reconstruíram a malha de transmissão entre as pessoas, evitando a epidemia.

"Quando identificávamos um paciente positivo para a dengue, sequenciávamos o genoma do vírus. O vírus vai mudando conforme se espalha. Com o sequenciamento, e sabendo de qual paciente veio o vírus, sabemos quase como uma técnica forense quem passou para quem. Com isso mapeamos as malhas de transmissão da cidade e descobrimos que o vírus se concentrava em dois bairros. A partir daí, foi possível atacar os focos com precisão", relatou.

O projeto deverá ser retomado no Guarujá no verão. "A cidade é uma bomba-relógio: o Guarujá tem áreas com graves problemas sociais e receberá centenas de milhares de turistas. E o verão aumentará a quantidade de mosquitos." As informações são do jornal "O Estado de S.Paulo".

Fonte: Uol



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