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O "Viagra Feminino" Não vai Solucionar os Problemas Sexuais das Mulheres. Saiba porquê!

A flibanserina foi aprovada pela Food and Drugs Administration (FDA), agência reguladora dos EUA, com a promessa de aumentar o desejo sexual, mas a falta de libido tem inúmeras causas e pode ser sintoma de uma série de doenças.

Por si só, a falta de desejo sexual não é considerada nem pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e nem pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) da Associação de Psiquiatria Americana (APA) uma anormalidade.

A questão só passa a ser considerada um problema a partir do momento em que a pessoa nessa condição sofre. Assim, se a mulher se sente angustiada pela falta de desejo sexual ela pode (e deve) procurar uma solução, que nem sempre estará associada a um medicamento. A aprovação da flibanserina pela Food and Drugs Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, traz essa discussão para o espaço público na medida em que a substância chega ao mercado norte-americano com a promessa de aumentar o desejo sexual.

Professora da Escola de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da USP, Carmita Abdo afirma que a chegada da flibanserina ao mercado norte-americano é um fato positivo. “Sem entrar no mérito de a substância ser boa ou não, é a primeira vez que um órgão regulador aprova um medicamento para que as mulheres melhorem a sua função sexual. Rompe-se uma barreira de considerar a necessidade feminina e, junto com essa aprovação, temos uma mudança de paradigma”, pontua.

Sexólogo e membro da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (SOGIMG), Gerson Lopes diz que o víeis machista persiste nas pesquisas que são desenvolvidas em relação à saúde da mulher. “Temos muitos trabalhos quando pensamos em reprodução feminina, temos muitos trabalhos quando nos referimos ao prazer masculino, mas não vemos o mesmo interesse em se pesquisar o prazer da mulher”, reforça.

Dentro dessa perspectiva, os especialistas consideram a notícia um fato positivo, mas quando pensam na eficácia e efeitos colaterais da substância em si são mais cautelosos. O medicamento que exige prescrição e acompanhamento médico foi desenvolvido para mulheres na fase da pré-menopausa que relatam a persistência da falta de desejo sexual.

Para Carmita Abdo, entretanto, não é toda mulher com falta de libido que se beneficiará dos efeitos da droga no organismo.

“Às vezes a falta de desejo é sintoma de outros problemas como deficiência hormonal, conflito relacional sério, casamento desgastado ou depressão. Não será um remédio que vai resolver nesses casos. O problema anterior é que precisa ser combatido”, explica.

Ao contrário da classe de medicamentos pró-erétil - popularmente conhecidos como Viagra - que atuam perifericamente apenas nos órgãos sexuais, a flibanserina tem ação no sistema nervoso central modificando a concentração de neurotransmisssores no corpo.

Os efeitos colaterais incluem desmaios, diminuição da pressão arterial, sonolência, náuseas e tonturas. Além disso, não deve ser associado ao consumo de álcool. O álcool é o mais sério de todos os riscos, porque essa é uma droga que afeta o sistema nervoso central. O medicamento tem um efeito sedativo, as pessoas desmaiaram mesmo sem tomar álcool. Mas o álcool parece piorar esse problema. A atenção médica é imprescindível no caso do uso dessa substância pelas mulheres.

O sexólogo Gerson Lopes rechaça a expressão que o medicamento ganhou no Brasil. Para ele, o nome "viagra feminino" não reflete a diferença que é preciso ser estabelecida entre os medicamentos. Para ele, a efetividade da flibanserina é algo que se provará na prática com a sua comercialização. “Não é uma droga mágica e não chega aos pés das drogas desenvolvidas para ajudar na ereção do homem e que representam uma verdadeira revolução masculina”, pondera.

Um teste clínico feito com a flibanserina mostrou que as mulheres que fizeram uso do medicamento afirmaram ter tido, em média, 4,4 experiências sexuais satisfatórias em um mês. Já o grupo que consumiu o placebo, relatou 3,7 experiências sexuais satisfatórias.

Outra diferença em relação ao Viagra é que não basta tomar um comprimido. O efeito só é percebido com o uso continuado e após algumas semanas de consumo diário.

Carmita Abdo não acredita que a flibanserina vá mudar a experiência sexual das mulheres por si só, mas, para ela, a entrada do medicamento ao mercado é um acontecimento que vai proporcionar à mulher mais informação sobre a própria sexualidade. “Vamos ter mais informação, menos tabu e mais conceitos baseados em evidência científica do que é a sexualidade feminina, quais são seus bloqueios e quais as possibilidades para superá-los”, diz.

Descoberta acidental

A ação da flibanserina no desejo sexual foi descoberta, assim como ocorreu com Viagra, acidentalmente. A empresa Boehringer Ingelheim pesquisava a molécula para atuar como um antidepressivo e as mulheres que usaram o medicamento relataram um aumento no desejo sexual. Em 2010, a corporação tentou a aprovação na FDA, que foi negada.

Em seguida, a Sprout comprou a fórmula que, em 2013, também foi rejeitada pela agência dos EUA. As especulações em relação à aprovação que ocorreu em 18 de agosto se dividem entre os que acreditam que o ativismo feminino pressionou a agência reguladora e aqueles que afirmam que a farmacêutica teria pago custos de entidades que defendem o direito das mulheres e do consumidor.

No Brasil

A flibanserina chega ao mercado norte-americano com o nome comercial Addyi. Apesar da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não poder divulgar se o pedido de registro já foi feito no Brasil, já que o procedimento é sigiloso, a expectativa é de que o aval da FDA seja um facilitador para a entrada da droga no país.

O órgão explica que se um medicamento não está no mercado brasileiro os motivos são:

  1. Nenhum pedido de registro foi apresentado à Anvisa
  2. O produto não comprovou eficácia e segurança e por isso o pedido foi indeferido
  3. A substância faz parte de uma lista de produtos banidos por falta de segurança ou proibição legal (exemplo: anfetamínicos, LSD, etc)
  4. O medicamento ainda está em análise na Anvisa.
  5. O produto ainda está em fase de pesquisa.

Fonte: Saúde Plena



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