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Kombucha: O Chá Milenar que Promete Emagrecer e Dar Energia

Já ouviu falar do chá de Kombucha ou “Kombutchá”, como se pronuncia? Com propriedades para melhorar o sistema imunológico, regularizar as funções do intestino, aumentar a energia e até mesmo emagrecer, essa bebida chinesa milenar está ganhando adeptos no Brasil. Basta clicar o nome na internet. Inúmeras páginas nas redes sociais e sites oferecem e dão aulas de como preparar o produto.

A apresentação do Kombucha é tão estranha como seu nome. Trata-se de uma bebida artesanal, levemente gaseificada, que surge da fermentação do chá preto adoçado com açúcar.

O líquido resultante é uma combinação de microorganismos (leveduras e bactérias), benéficos à saúde. Os adeptos consomem de 2 a 3 copos do chá por dia e afirmam sentir melhoras na saúde como um todo.

Para produzir o Kombucha é preciso cultivar um scoby (uma cultura viva, de aspecto gelatinoso, parecida com uma massa de panqueca, composta por bactérias e leveduras) junto a 10% do chá da safra anterior.

Esse scoby é adicionado a um recipiente de vidro com aproximadamente 3 litros de chá preto com açúcar em temperatura ambiente, coberto com um pano limpo para que ele possa respirar e se reproduzir. Ao fim de 10 dias, em média, o scoby resulta em um “filhote” e a bebida finalmente está pronta para o consumo. Mas antes deve ser coada!

Riscos e benefícios

Os principais microorganismos presentes no chá de Kombucha são Acetobacter xylinum, Acetobacter xylinoides, Acetobacter ketogenum, Saceharomycodes ludwigii, Saccharomycodes apiculatus, Schizosaccharomyces pombe, Zygosaccharomyces, e Saccharomyces cerevisiae.

Um laudo técnico realizado pelo Laboratório Aqualab, de Porto Alegre, atesta a qualidade do Kombucha e afirma que o produto está livre de bactérias patogênicas causadoras de gastroenterites, sendo próprio para o consumo.

O médico nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), afirma que os benefícios do Kombucha estão no fato de esses microorganismos habitarem a microbiota intestinal.

“Tais bactérias são as chamadas bactérias do bem. Se você as tem em grandes quantidades no organismo, tem uma boa imunidade”, afirma.

Ainda segundo Ribas Filho, essas bactérias do bem, quando fermentadas, liberam substâncias que vão agir no núcleo da saciedade, o que ajudaria na perda de peso. “Esses microorganismos também agem melhorando o metabolismo, o que provoca as sensações de bem-estar, energia e disposição".

Os benefícios não eliminam os riscos, claro. Em especial por se tratar de uma cultura de bactérias. “Se o produto mofar e for contaminado por fungos ou bactérias chamadas do mal, pode causar, sim, problemas de saúde.”

A nutricionista e professora universitária Andréa Esquivel, colaboradora da Associação Paulista de Nutrição (Apan), diz que é preciso ter cautela no consumo de forma indiscriminada e sem acompanhamento, pois os compostos da bebida podem interagir com outras substâncias, como medicamentos, causando problemas ou reações adversas indesejadas. “Há relatos de toxicidade no fígado e nos rins após o consumo do chá”, afirma.

Andréa também destaca a questão da manipulação do produto. Ele é feito artesanalmente. “Deve-se ter um critério rígido de assepsia, levar em consideração o ambiente, a qualidade da água, usar vidro e não plástico. Caso contrário, a colônia pode ser contaminada e desenvolver outros fungos e bactérias prejudiciais à saúde.”

Ela reforça que o chá não deve ser consumido por pessoas com baixa imunidade, gestantes, crianças e idosos, pois eles possuem o sistema imunológico mais frágil e suscetível à infecções oportunistas. “Não é porque é natural que não faz mal”, diz. Para ela, o consumo do chá é um modismo que chegou no Brasil que pode ser perigoso. “É leigo indicando e doando a cultura para leigo”.

Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa que o chá de Kombucha pode ser comercializado no Brasil, mas que não há alegações sobre os benefícios à saúde autorizadas para esse produto. Ainda segundo a agência, os chás são alimentos dispensados de registro e, por serem alimentos, não podem indicar propriedades terapêuticas ou medicamentosas.

Fonte: Veja.com



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