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Implante de Eletrodos no Cérebro para Tratamento da Doença de Parkinson

Esse artigo do médico neurocirurgião Caio Marconato Matias fala sobre uma nova cirurgia para tratamento de doentes de Parkinson.

A doença de Parkinson é mais conhecida pela presença de um tipo característico de tremor, como se a pessoa estivesse rolando uma pílula ou contando dinheiro.

Tremor, rigidez dos braços e pernas, e dificuldade para iniciar movimentos constituem os principais sintomas que caracterizam essa doença.

A progressão da doença de Parkinson geralmente é lenta. Inicialmente compromete apenas um lado do corpo, mas após alguns anos os sintomas podem ser vistos dos dois lados. Outros sintomas podem surgir conforme a doença progride, tais como dificuldade para andar, desequilíbrio e quedas. Além disso podem aparecer problemas de memória e raciocínio, bem como sintomas depressivos.

Segundo um estudo realizado no Brasil, a doença de Parkinson tem uma prevalência na população de 3,3%. Geralmente ela acomete pessoas com mais de 40 anos. As causas ainda são desconhecidas, mas acredita-se que vários fatores atuem em conjunto.

Inicialmente o tratamento é feito com medicamentos. As opções são variadas, sendo que Prolopa e Sifrol geralmente são os mais usados. Nos primeiros anos, observa-se um ótimo controle dos sintomas. Fisioterapia e terapia ocupacional também são muito importantes ao longo do tratamento.

Porém após alguns anos da doença a eficácia dos medicamentos diminui e efeitos colaterais surgem, como por exemplo movimentos involuntários dos braços ou pernas chamados discinesias. Nessa etapa, para casos selecionados, surge uma nova opção de tratamento, a estimulação cerebral profunda.

Ela consiste em uma cirurgia na qual eletrodos são implantados em uma região especifica do cérebro, responsável pelos sintomas da doença. A seguir esses eletrodos são conectados a um pequeno gerador que por sua vez que é implantado logo abaixo da clavícula, assim como os marca-passos cardíacos.

O gerador, então, emite sinais específicos para o cérebro, levando ao controle dos sintomas. O tratamento não acaba por aí. Uma das grandes vantagens é que o gerador pode ser ajustado conforme a necessidade individual de cada paciente. Geralmentes as doses dos medicamentos podem ser reduzidas, revertendo os efeitos colaterais.

A estimulação cerebral profunda é mais uma opção para o tratamento da doença de Parkinson. Quando bem indicada é capaz de proporcionar grande melhora da qualidade de vida e controle dos sintomas.

Referências

  1. Barbosa MT, Caramelli P, Maia DP, Cunningham MC, Guerra HL, Lima-Costa MF, et al. Parkinsonism and Parkinson’s disease in the elderly: a community-based survey in Brazil (the Bambui study). Mov Disord. 2006 Jun;21(6):800-8

  2. Rezai AR, Machado AG, Deogaonkar M, Azmi H, Kubu C, Boulis NM. Surgery for movement disorders. Neurosurgery. 2008 Feb;62 Suppl 2:809-38; discussion 38-9

  3. Medtronic



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