Fracionar a Vacina da Febre Amarela: Enganação ou Proteção Garantida? E mais, Governo Brasileiro passa a adotar Dose Única da Vacina

O governo brasileiro vai passar a adotar a dose única da vacina contra febre amarela, dispensando a chamada “dose de reforço”, que era recomendada até então. A medida, que segue orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o tema, foi anunciada nesta quarta-feira pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Com a decisão, as pessoas que já tomaram uma dose não precisarão mais se vacinar contra febre amarela ao longo da vida.

Estudos da OMS atestaram a eficácia da dose única, sem necessidade de complementação, e em 2014 a organização recomendou a mudança. Na época, porém, o ministério da Saúde entendeu que eram necessárias mais pesquisas antes da adoção do protocolo.

Em entrevista coletiva, Barros disse ainda que o governo prepara a rede pública para um possível fracionamento das doses.

A medida seria emergencial, para imunizar o maior número de pessoas possível. Pesquisas indicam que a dose fracionada protege por pelo menos 1 ano.

Caso a medida venha a ser adotada, um frasco com cinco doses poderá vacinar até 25 pessoas.

A grande pergunta é: as pessoas devem ficar felizes e seguras, uma vez que conseguirão a tão procurada vacina, ou devem ficar apreensivas e inseguras com a possibilidade de terem sido ludibriadas e não estarem efetivamente protegidas contra esta doença que pode matar?

A diluição da vacina garante proteção, segundo os estudos. Mas por um período muito menor. Exatamente 10 vezes menor. Isto quer dizer que as pessoas supostamente ficarão protegidas por apenas 1 ano, e não por 10 anos como acontece com a dose não fracionada.

Vale a questão: e depois de 1 ano? Será que o surto já terá acabado? Ou será necessário vacinar todo mundo de novo? Qual seria o efeito de múltiplas doses diluídas na população? Não se sabe! Sabe-se, isto sim, que muito provavelmente as regiões endêmicas continuarão endêmicas em 2018.

Vale dar uma proteção em muita gente por um ano apenas?

Sabemos que os estoques de vacinas do mundo, aí incluídas as vacinas da nossa própria produção em Bio-Manguinhos, Fiocruz, não é suficiente para suprir as demandas nacionais. As filas enormes nos postos de saúde e relatos de pessoas que não conseguiram ser vacinadas já fazem parte das nossas notícias cotidianas.

O ministro da saúde afirmou que a diluição da vacina “significa um conforto à população. Estamos atendendo a uma ansiedade”.

Claro que estamos ansiosos! Com toda razão de estarmos. A saúde pública no Brasil é um caos explícito. Não é confiável. Hospitais lotados, sem a menor condição de oferecer o atendimento decente que a população merece. Unidades Básicas de Saúde sem credibilidade e sem garantir à população segurança e a resolutividade que se espera da Atenção Primária à Saúde.

Claro que estamos ansiosos! Mais ainda com esta notícia da possibilidade de diluir a vacina da febre amarela.

Esta é uma solução provisória, questionável sob o ponto de vista científico e que, ao contrário do que espera o Ministro, pode trazer mais desconfiança, insegurança e incredibilidade para a população.

Será que dá para confiar?

Fonte: Veja.com

Globo




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