Fascite plantar ou Esporão do calcâneo? Não confunda!

Fascite plantar é um processo inflamatório ou degenerativo que afeta a fáscia plantar (chamada também de aponeurose plantar), uma membrana de tecido conjuntivo fibroso e pouco elástico, que recobre a musculatura da sola do pé, desde o osso calcâneo, que garante o formato do calcanhar, até a base dos dedos dos pés. A doença se manifesta principalmente entre os 40 e 60 anos. Pode afetar homens e mulheres.

Pessoas com sobrepeso, atletas, especialmente os corredores, bailarinos, ginastas, e mulheres por causa do uso frequente de sapatos com saltos muito altos estão mais sujeitas a desenvolver essa condição.

É importante não confundir a fascite plantar com o esporão do calcâneo. São duas patologias diferentes, embora possam ser desencadeadas por lesões muito semelhantes: microtraumatismos e inflamação crônica na região do calcanhar, nas proximidades da inserção do tendão de Aquiles.

No caso específico do esporão, surgem depósitos de cálcio debaixo ou atrás desse osso. Eles formam saliências parecidas com ganchos que lembram as esporas dos pés dos galos. Esporões do calcâneo podem provocar uma dor aguda, em pontada, que piora com o movimento e melhora com o repouso.

Geralmente a fascite plantar é um transtorno de bom prognóstico, mas a recuperação costuma ser bastante lenta.

Causas

Embora ainda não se conheça a causa exata da fascite plantar, na maioria dos casos, a dor forte característica do transtorno é provocada pelo estiramento excessivo da fáscia plantar ou pela repetição de microtraumatismos nessa estrutura que dá sustentação e estabilidade ao arco plantar. Em outras palavras: é a fáscia plantar que ajuda a manter a curvatura do pé firme, graças à sua capacidade de amortecer e distribuir o impacto.

Segundo o SBED (Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor), estudos recentes têm demonstrado que a dor própria da fascite plantar pode estar associada “a uma alteração estrutural mais condizente com processos degenerativos” causados pela prática exagerada de exercícios físicos, sobrepeso ou idade.

Sintomas

O sintoma característico da fascite plantar é uma dor forte, em facada, debaixo do pé, perto do calcanhar. Em geral, essa dor é mais intensa pela manhã, mas alivia durante o dia, com a caminhada. Nada impede, porém, que ela surja em qualquer ponto da fáscia, depois de longos períodos em pé, ou depois de subir escadas ou repousado um pouco.

Inchaço (edema) e vermelhidão (eritema) são outros sinais de inflamação que podem estar presentes nos quadros de fascite plantar. Portadores dessa condição podem apresentar também dificuldade para realizar o movimento de dorsiflexão do pé, isto é, apresentam dificuldade para trazer a ponta do pé na direção da canela.

Sem tratamento, a dor da fascite plantar pode tornar-se crônica e provocar alterações na marcha que revertem em lesões no joelho, quadris e coluna.

Fatores de risco

Além da obesidade, do ganho rápido de peso, do envelhecimento, da prática exagerada de exercícios físicos, ou mesmo da falta deles, e do uso de sapatos inadequados, são considerados fatores de risco para a fascite plantar:

  • Pés planos ou chatos (arco plantar mais baixo, maior área de apoio da sola do pé com o solo) ou pés cavos (arco plantar mais alto, menor área de apoio da sola do pé com o solo) podem afetar a forma como o peso do corpo é distribuído e aumentar a pressão sobre a fáscia plantar;

  • Encurtamento do tendão de Aquiles, localizado na parte de trás da perna e que liga os músculos da panturrilha aos ossos do calcanhar. Em geral, isso pode acontecer em decorrência do retesamento do músculo da panturrilha ou do uso frequente de sapatos com saltos muito altos ou sem o suporte adequado para amortecer os choques contra o osso calcâneo.

Diagnóstico

Num primeiro momento, o diagnóstico de fascite plantar é clínico e leva em conta as particularidades dos sintomas e os fatores de risco.

Exames de raios X e ultrassom podem ser úteis para estabelecer o diagnóstico diferencial com o esporão do calcâneo (protuberância óssea que cresce na base ou atrás do osso calcâneo), a metatarsalgia (dor nos ossos que articulam com as falanges), a tendinite do tibial posterior e com microfraturas ósseas.

Tratamento

O objetivo do tratamento da fascite plantar é reduzir a inflamação, aliviar a dor e habilitar o paciente para assumir suas atividades rotineiras.

Grande parte dos portadores de fascite plantar se beneficia com o tratamento conservador que inclui repouso, aplicação de gelo no local e sessões de fisioterapia para promover o alongamento de estruturas, como a própria fáscia plantar, o tendão de Aquiles e os músculos da panturrilha.

O uso de palmilhas ortopédicas visando à melhor distribuição peso corpóreo sobre os pés e de órteses noturnas para evitar o encurtamento do arco e manter fáscia plantar alongada durante a noite são outros recursos não farmacológicos que podem ser benéficos.

A terapia por ondas de choque (ESWT), constituída por ondas sonoras extracorpóreas têm-se mostrado útil para reduzir a dor e promover a cicatrização dos tecidos moles afetados. No entanto, é preciso atenção. Esse método terapêutico é contraindicado para gestantes, portadores de diabetes, arritmia cardíaca, problemas de coagulação, por exemplo.

Quando necessário, o tratamento farmacológico inclui a prescrição de analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides, a aplicação de toxina botulínica e a infiltração com anéstésico ou com corticosteroides diretamente na região de maior dor na sola do pé.

A cirurgia para liberação da fáscia plantar só é indicada quando os outros recursos terapêuticos não produzem mais resultados.

Prevenção

As seguintes medidas ajudam a prevenir a manifestação da fascite plantar:

-Evite ganho do peso rápido: a obesidade representa uma sobrecarga extra sobre as estruturas do pé, especialmente sobre o arco plantar;

  • Procure alongar músculos e ligamentos antes e depois de praticar qualquer atividade física;

  • Não ande descalço em superfícies muito rígidas, nem caminhe nas pontas dos pés;

  • Certifique-se de que os calçados possuem o amortecimento necessário para absorção do impacto e garantem o apoio adequado para o arco do pé;

  • Recorra ao uso de palmilhas para corrigir alterações anatômicas;

  • Reserve os calçados com saltos muito altos para ocasiões especiais e use por pouco tempo. No dia a dia, prefira sapatos com saltos mais baixos, que não estejam largos nem apertados demais, nem que tenham a sola muito fina ou muito gasta.

Recomendações

Alguns exercícios simples, realizados em casa mesmo, podem representar grande auxílio para o tratamento da fascite plantar:

1) Para reduzir a inflamação e aliviar a dor

  • Congele água dentro de uma garrafa pet e role-a sob o arco plantar para frente e para trás durante 10 minutos;
  • Massageie a sola dos pés com uma bolinha do tamanho aproximado das bolas de tênis ou golfe, movimentando-a em todas as direções.

2) Para alongar e fortalecer a fáscia plantar

  • Sente-se no chão com as costas retas, estique as pernas e puxe a pontas dos pés com uma toalha;
  • Sentado numa cadeira, recolha do chão bolinhas de gude ou rolhas de garrafa utilizando apenas os dedos dos pés.

3) Para alongar e fortalecer os músculos da panturrilha

  • Pise na borda de um degrau com as pontas dos pés alinhadas e vá descendo apenas os calcanhares para fora do degrau, o máximo que conseguir, sem forçar muito. Permaneça nessa posição por alguns segundos. Depois volte à posição inicial e relaxe a musculatura;

  • Sente-se numa cadeira com a planta dos pés apoiadas no chão e os joelhos flexionados em 90º. Nessa posição, erga o calcanhar o mais alto que puder e pressione com toda a força possível as pontas dos pés contra o chão. Mantenha a posição por alguns segundos e vá abaixando os calcanhares devagar.

Se você conhece alguém que sofre com esse problema, então compartilhe com ele essas informações!

Fonte: Drauzio Varella




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