Depressão abala Atletas de alto nível e tem se tornado cada vez mais comum no Futebol!

Ela é uma doença silenciosa e muitas vezes desacreditada. Mas, segundo a Organização Mundial de Saúde, mais de 300 milhões de pessoas no mundo são afetadas pela depressão.

E os casos têm se tornado frequentes entre jogadores de futebol.

Nilmar, ex-atacante do Inter, Corinthians e seleção brasileira, foi um dos mais recentes. Até chegar ao Santos, em julho deste ano, ele ficou 14 meses sem jogar. Em 66 dias, fez apenas duas partidas. No total, o jogador ficou 39 minutos em campo. Semanas depois, ele pediu suspensão do contrato. "Para um atleta profissional, o mais difícil é você estar fora, né?", relata o atacante.

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E ele não é um caso isolado! Nos últimos três anos, a doença foi o grande adversário de Thiago Ribeiro. O atacante foi diagnosticado com depressão em 2013, na primeira passagem pelo Santos. Por nove meses, fez tratamento com antidepressivos. Perdeu a concentração, reflexos, o sono e o apetite.

"Você sente uma tristeza, parece que nada te deixa feliz, nada te deixa animado. Tem gente que pensa que isso é frescura, que é coisa da cabeça da pessoa. Mas quem passa sabe que não é. Em duas semanas eu perdi 7 quilos", conta o atacante.

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De acordo com uma pesquisa divulgada no ano passado pelo FiF PRO, o sindicato internacional de jogadores, um terço dos atletas de futebol em atividade sofre ou já sofreu de depressão.

Lesões graves, que causam longa inatividade, são o principal gatilho da depressão em atletas. Como os jogadores estão acostumados a praticar exercícios todos os dias, a produção de serotonina, dopamina e noradrenalina é alta. Essas substâncias são responsáveis por sensações de relaxamento, bem-estar. Na falta de atividade na recuperação de uma lesão, por exemplo, a quantidade despenca.

Essa situação aconteceu com Ronaldo Fenômeno, entre 1999 e 2002. O mundo acompanhou a luta do craque pra voltar ao futebol, sem imaginar que, além das dores no joelho, ele convivia com a depressão. "No meu caso era muito difícil a incerteza, porque era uma lesão sem precedentes. Então, a gente não tinha referência de como fazer o tratamento e essa incerteza diariamente era terrível. Mas aí você vai vendo a evolução do seu quadro diariamente, e isso vai te dando esperança. Eu acho que você tem que se apegar às coisas positivas da recuperação e aí manter o foco", afirma o Fenômeno.

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A depressão pode ser causada por diversos fatores. Pedrinho, ex-jogador do Vasco, do Palmeiras e da seleção brasileira, passou por três cirurgias no joelho. Foram quase três anos no departamento médico. No auge da doença, tomava 12 comprimidos por dia. Pra piorar a situação, havia cobrança e pressão de algumas pessoas que sugeriam que ele não jogava por falta de vontade.

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Com Cicinho, a situação foi diferente. Da noite para o dia, o jogador virou o galático do Real Madrid. E no melhor momento da carreira, mergulhou no grande vazio. "Eu olhei e falei: tá, e agora? O que vou fazer com isso? Foi onde começou o pensamento: eu não preciso treinar como treinava no São Paulo porque eu já estou no Real Madrid. Eu não preciso mais concentrar para um jogo como antes porque já estou na seleção brasileira", conta.

Cicinho trocou o futebol pelas festas. Perdeu contratos e voltou ao Brasil, onde encarou a realidade. Ainda no São Paulo, foi diagnosticado por uma psicóloga como dependente de álcool.

"Foi onde abri o jogo para eles: eu menti para a psicóloga. Falei que bebia quatro a cinco copos por dia. Não, eu consumia quarenta, cinquenta. Então eu cheguei a um ponto que eu sentava em um lugar e tinha que ter alguém para me carregar para casa. Ali eu vi que estava em uma constante depressão, porque minha vida era maquiada por isso, revela.

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Em 15 anos de carreira, Nilmar tem um histórico de lesões grave. Mas, dessa vez, uma paralisia facial e uma conjuntivite teriam sido o estopim da depressão. Ele segue em tratamento. Há duas semanas, Cicinho conversou com o atacante.

"Ele falou: Cicinho, estou atendendo seu telefonema porque sei que você viveu isso de uma outra maneira. Tem pessoas que não entendem o que eu estou vivendo. E eu falei para ele: Nil, eu não posso falar porque os médicos que vão dar o diagnóstico, mas só a gente que vive que sabe, conta Cicinho.

O Santos não quis se pronunciar. O caso chamou a atenção da CBF, que admite incluir a depressão no seu protocolo médico.

Fonte: Globo Esporte




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