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Como Aprender Habilidades Artísticas Altera o Cérebro

Os artistas já nascem como tal ou se desenvolvem para tal? No final do filme de Woody Allen, Bullets Over Broadway, o personagem de John Cusack conclui que, apesar de seu desejo e esforço, ele nunca vai ser um gênio criativo, pois simplesmente não tem o dom.

Mas será que a arte é codificada nos genes – ou mesmo na alma? Um artigo publicado recentemente sugere o contrário.

“A criatividade é outro conceito que é frequentemente considerado como algo de nascença ou nunca se terá”, diz o psicólogo do Dartmouth College, Alexander Schlegel, autor principal de um artigo publicado na revista NeuroImage. “Nossos dados refutam claramente essa noção.”

Schlegel e seus colegas relatam que fazer uma aula de introdução à pintura ou desenho literalmente altera os cérebros dos alunos. Além do mais, essas mudanças induzidas pelo treinamento não só melhoram o controle motor delicado necessário para esboçar; eles também impulsionam o pensamento criativo dos alunos.

Comece a fazer o trabalho e o cérebro responde, permitindo que se possa construir e manter não só o conhecimento técnico, mas também a capacidade imaginativa necessária para utilizá-lo totalmente.

O estudo contou com 35 estudantes universitários, 17 dos quais participaram de um curso introdutório de três meses em desenho observacional ou pintura. Todos passaram por exames mensais cerebrais utilizando-se a tecnologia fMRI.

No início e no final do estudo, todos os participantes completaram um teste padrão de pensamento criativo, que mede fatores como fluência, originalidade e o uso criativo de imagens e linguagem.

Durante cada uma das sessões mensais, seus cérebros foram escaneados sob duas condições: como “propriedades de estímulos visuais ilusórias testadas”, um teste destinado a acompanhar o desenvolvimento de suas habilidades de percepção; e fizeram “rapidamente – em 30 segundos, desenhos de gestos com base em observações de figuras humanas”.

“Não encontramos quaisquer melhorias nas habilidades puramente perceptuais dos estudantes de arte ou relacionados com a atividade do cérebro em relação ao grupo controle, ou seja, estudantes que não estudaram arte”, escreveram os pesquisadores. “No entanto, achamos que os estudantes de arte melhoraram a capacidade de traduzir rapidamente observações de figuras humanas em desenhos gestuais, e que os padrões finos de atividade neural relacionada com o desenho no cerebelo e no córtex cerebral cada vez mais diferenciaram os estudantes de arte do grupo controle ao longo do decurso do estudo.”

Em outras palavras, os pesquisadores foram capazes de ver como os cérebros dos alunos se adaptaram para aprender novas habilidades.

Mas o mais importante, eles também observaram mudanças na sua substância branca pré-frontal que correspondeu a um aumento na sua capacidade de pensar de forma criativa.

Os estudantes de arte aumentaram especificamente “a sua capacidade de pensar de forma divergente, sistemas e processos de modelo, e a usar a imaginação”, escreveram os pesquisadores. Os resultados sugerem que, em questão de poucos meses, “a matéria branca pré-frontal se reorganiza enquanto (estudantes de arte) se tornam mais capazes de pensar de forma criativa”.

Então aqui se encontram mais evidências da plasticidade do cérebro e sua capacidade de se adaptar a novos hábitos, novas habilidades e novas informações.

“Talvez existam variantes genéticas que dão aos indivíduos uma inclinação para a arte (por exemplo, mais abertos a novas ideias ou mais propensos a fazer conexões ou ver padrões), mas isso é distante de dizer que eles nasceram já artistas, e que aqueles sem essas variantes genéticas estão condenados a não serem criativos”, Schlegel concluiu.

“É um estranho mito do artista ser considerado como uma classe especial de humano. Espero que o nosso estudo ajude a desmascarar a noção de que há “artistas” e “o resto de nós.”

Fonte: Pacific Standard



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