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Cólica Menstrual: Dispositivo criado no Brasil Promete Alívio para as Pontadas

Algumas mulheres têm que incluir na agenda um compromisso penoso: enfrentar, todo santo mês, a cólica menstrual. Uma parcela sente dores tão intensas e resistentes a remédios que as atividades do cotidiano precisam ficar em segundo plano.

"Dependendo da intensidade, elas ainda são acompanhadas de náuseas, vômitos e até desmaios", traça o quadro completo o ginecologista Paulo Giraldo, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista. É para essas sofredoras de plantão que surge uma esperança no horizonte.

Giraldo está avaliando um pequeno aparelho portátil que, ao lançar estímulos elétricos suaves sobre a pele, barra a cólica. Não é preciso tomar comprimidos nem recorrer a métodos invasivos.

"Ainda não podemos mostrar os resultados finais, mas a impressão é a melhor possível. As voluntárias se adaptaram bem e se sentiram bastante aliviadas", adianta o professor da Unicamp, cujo estudo envolve 60 participantes.

O dispositivo em questão, concebido pelo empresário Moacyr Bighetti, da Medecell, mede uns 15 centímetros de comprimento e se baseia numa tecnologia amplamente empregada na fisioterapia: a estimulação elétrica nervosa transcutânea, ou TENS.

Originalmente, o produto foi projetado para tratar dores crônicas associadas a problemas na coluna ou nas juntas, por exemplo. E testes foram conduzidos por pesquisadores brasileiros, exibindo bons índices de eficácia. Daí pintou a ideia: por que não usar o mesmo contra a cólica menstrual?

Produto

Tanyx é um produto descartável portátil e barato (comparado com outros produtos baseados na tecnologia TENS), fácil de manusear e operar, sem a necessidade de supervisão de um profissional.

Fácil como tomar um comprimido, porém sem seus efeitos colaterais.

Sua finalidade é reduzir, aliviar e até mesmo eliminar dores crônicas e/ou agudas, através da estimulação de sinais elétricos direcionados e controlados pelo paciente.

Tanyx teve sua eficácia e segurança comprovado por estudos clínicos realizados no exterior e no Brasil (Hospital das Clinicas – USP – Ribeirão Preto), além de ser aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), pelo FDA (U.S. Food and Drug Administration) e seguir as normas técnicas internacionais, tendo o selo da CE (Comunidade Européia).

Ele foi criado para ser usado em braços, pernas, costas e ombros, além de dores causadas por cólicas menstruais. Porém estamos desenvolvendo novas formas e modelos baseados na mesma tecnologia e voltados para áreas especificas, pós cirúrgicos, etc.

Dispositivo portátil

O aparelho é posicionado no ventre e emite choquinhos numa frequência inofensiva para o organismo. A intensidade pode ser controlada e o objetivo é simples: enganar o cérebro.

Isso mesmo. A TENS impede que o sistema nervoso leia e perpetue os sinais de dor. O primeiro estudo a confirmar esse efeito na dismenorreia, o nome científico da cólica, foi comandada pela médica especialista em dor Gabriela Lauretti na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP). Ela analisou essa saída em 20 mulheres. Usando uma escala de intensidade da dor que vai de 0 a 10, as moças relataram que o incômodo caiu, em média, de 7 para 2. Nove das participantes deixaram de usar medicamentos contra as cólicas e, três meses depois do experimento, 14 continuaram lançando mão das TENS.

"Uma das coisas mais interessantes do aparelho é a sua praticidade, já que é portátil e fácil de usar", elogia Gabriela.

Ele chegou ao mercado em 2013 ao custo médio de 70 reais. Cada unidade tem uma bateria com dez horas de duração - o que rende cerca de 30 sessões de 20 minutos.

A Medecell aposta que seu equipamento ajude a diminuir o uso (e, muitas vezes, o abuso) de medicamentos como analgésicos. "Mesmo os remédios específicos para cólica, que diminuem os espasmos no útero, podem ter efeitos adversos, como danos aos rins, se forem tomados direto", alerta Gabriela.

O mesmo raciocínio se aplica a outras condições dolorosas, como lombalgias. "Essa tecnologia parece ser mais segura do que as medicações se pensarmos em longo prazo", opina Mark Johnson, diretor do Centro de Pesquisas em Dor da Universidade Leeds Beckett, na Inglaterra. E a eficiência do método seria justificada pelo fato de que, além de iludirem o cérebro, os choques leves incitam a produção dos nossos analgésicos internos.

"Estímulos como eletricidade e calor fazem o cérebro liberar tanto substâncias que cortam a percepção do incômodo como outras que inibem diretamente a dor", ensina o neurocirurgião Manoel Jacobsen, do Hospital Sírio-Libanês, em são Paulo.

Não substitui as consultas

Acontece que um dos pontos positivos da novidade - essa sensação de independência pela facilidade na hora de transportar e usar - dá margem a ressalvas de especialistas.

"Comprar um aparelho desses e utilizar em casa sem orientação pode mascarar uma dor que serve de alerta para um problema mais sério", pondera Anderson Luís Coelho, presidente do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional de Minas Gerais. Moacyr Bighetti, o homem por trás da invenção, reforça, no entanto, que o dispositivo não pretende substituir consulta e tratamentos com profissionais. "A intenção é aliviar a situação, às vezes incapacitante", diz.

O complô anticólica

Claro que novo aparelho não se destina a toda mulher com desconforto menstrual. Até o momento, ele parece prestar melhor serviço se as dores são severas (ou se os comprimidos falham). Sessões de 20 minutos seriam o suficiente para barrar a chateação - e se acredita que o mesmo efeito seja obtido em mulheres que sentem dor após relação sexual.

Já cólicas mais brandas não requerem necessariamente esse investimento. Uma bolsa de água morna, por exemplo, já ajuda a calar a boca do incômodo, uma vez que também disfarça o sinal doloroso emitido lá do útero. "O calor aumenta a dilatação dos vasos sanguíneos na região e o sangue passa a circular melhor. Isso favorece a eliminação das substâncias por trás dos espasmos uterinos", explica Paulo Giraldo. Da mesma forma, quando bem indicados, medicamentos antiespasmódicos (e não analgésicos comuns!) podem apaziguar o sofrimento.

Claro que há casos e casos, e todos merecem avaliação do ginecologista. Cólicas são mais corriqueiras em adolescentes e podem diminuir de intensidade com o tempo.

"Mas, se a mulher nunca teve episódios, e do nada passa a sofrer com isso, pode haver alguma doença envolvida", avisa a médica Zuleide Cabral, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Como uma endometriose, o crescimento do tecido que reveste o útero para fora desse órgão. Ela é um dos principais problemas capazes de se gerar cólicas de se jogar na cama - e seu tratamento vai por outro caminho. Por isso, não adianta apelar por conta própria a remédios ou novas tecnologias esperando resultados milagrosos. Agora, se o aval médico for concedido, já dá pra dizer que está chegando um tratamento de choque contra o tormento.

Tratamento de choque

Entenda como o dispositivo se vale de impulsos elétricos para enganar o cérebro e dar cabo das cólicas

1- Quando há alguma lesão – no caso do útero, contrações excessivas –, fibras nervosas do tipo C da região emitem sinais à medula espinhal.

2- Na medula, a mensagem é traduzida e enviada para o cérebro, que vai interpretar aquilo como dor. O problema é que esse estímulo é constante.

3- As fibras C dividem espaço com as fibras A-delta. Estas é que são instigadas pelos choquinhos do aparelho. Seus impulsos viajam à medula numa maior velocidade.

4- O sinal da fibra A-delta bate seu concorrente na chegada ao cérebro, que passa a valorizá-lo e não dar tanta bola ao estímulo da dor. Tem mais: a eletricidade incita, na massa cinzenta, a liberação de substâncias do bem-estar.

Fonte: M de Mulher



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