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Cientistas Estão Usando Substância do Ecstasy Para Tratamento de Ansiedade Social e Autismo

Em agosto de 2014 começaram a ser tratados voluntários num estudo científico sobre uso de MDMA (substância encontrada no ecstasy) em conjunto com terapia para tratar ansiedade social em adultos com autismo.

No final do mês passado, foi publicado o primeiro periódico com a análise do estudo e uma descrição do método usado para a terapia.

A pesquisa foi financiada pela MAPS (Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos) e conduzido na Universidade de Stanford por Charles Grob, M.D e Alicia Danforth, Ph.D.

Foram usados pacientes autistas com mais de 21 anos que já haviam completado pelo menos dois anos de ensino superior ou treinamento vocacional equivalente.

Antes do início do tratamento em si, os indivíduos recebem sessões de psicoterapia em que a estrutura do tratamento é apresentada e a gama de possíveis efeitos são discutidas, assim como são abordados problemas passados ou presentes na vida do paciente. Essas sessões preparatórias também têm foco em estabelecer confiança entre o indivíduo e a equipe.

As sessões do tratamento acontecem numa sala projetada para minimizar estresse sensório (luz suave, assento confortável, pouco ruído) e se assemelhar mais a uma sala de estar do que uma sala clínica. Durante as sessões, são empregadas tarefas aos pacientes, como ouvir músicas pré-selecionadas, trabalhar com ferramentas artísticas, escrever em diários, praticar introspecções silenciosas e interagir com os terapeutas para construir conexão e harmonia.

Também é feito um teste chamado TASIT, que avalia habilidades de dedução e inferência no contexto social. Os co-terapeutas ficam encarregados de criar e transmitir um cenário de segurança e suporte para o indivíduo em períodos de introspecção. Outras interações durante as sessões experimentais abordam desafios pessoais que os indivíduos já tiveram com percepções e funções sociais.

Também há um acompanhamento pós-sessão. No dia seguinte, os indivíduos retornam ao local de estudo para uma sessão integrativa, em que o conteúdo da experiência do dia anterior é examinado e são analisados métodos para integração da experiência na vida diária.

Há também um acompanhamento diário via telefone na semana seguinte à experiência. As sessões integrativas continuam ocorrendo depois, assim como são feitos mais testes para avaliar melhoras nas habilidades sociais dos participantes ao longo do tempo.

O periódico destaca que o uso de MDMA puro no contexto clínico é muito mais seguro do que o uso recreativo de ecstasy ou molly.

Os efeitos adversos envolvendo a administração de MDMA tiveram raras ocorrências, e quando ocorreram, não apresentaram riscos de fatalidade. O MDMA já foi usado em pesquisas em mais de 1100 indivíduos e em nenhum caso ocorreram efeitos adversos que demandavam relatórios especiais de acordo com as regras da FDA – agência federal dos Estados Unidos que regula e supervisa as pesquisas.

Como no caso de outras drogas psicodélicas, o MDMA proporciona abertura emocional e introspecção que não necessitam de administração contínua para atingir benefícios permanentes.

Isso aumenta a relação risco/benefício do MDMA e o coloca à frente de outros medicamentos que necessitam dosagem diária para fazer efeito. Comparado a outros alucinógenos clássicos, o MDMA é mais suave, mais curto e induz uma habilidade aprimorada de facilitar intensos estados de introspecção, tudo isso sem as distraentes distorções cognitivas e alterações na percepção, imagem corporal e senso do ser – como acontece no caso do LSD, pscilocibina e mescalina.

Autismo e MDMA

Os primeiros estudos sobre MDMA já indicavam que a substância ajuda as pessoas a conversar abertamente e honestamente sobre elas mesmas e sobre seus relacionamentos sem apresentar comportamentos defensivos. Por várias horas, ansiedade e medo desaparecem, mesmo em indivíduos cronicamente apreensivos e contidos.

Pesquisas envolvendo autismo e pesquisas envolvendo MDMA têm vários pontos em comum. Alguns exemplos incluem estudos neurobiológicos, particularmente nos efeitos da oxitocina e vasopressina – que aparentam ter um papel importante em conexões interpessoais – e serotonina. Investigações no mecanismo de recognição facial também aparecem em pesquisas tanto sobre autismo quanto sobre MDMA.

Estudos que analisam imagens cerebrais sugerem que a amígdala – conjunto de neurônios relacionados ao processamento de emoções – é ativada de forma diferente em diferentes regiões do cérebro, resultando em diferenças nas percepções sociais dos indivíduos autistas.

A administração de MDMA (metilenodioximetanfetamina) diminui a atividade da amígdala esquerda – região que está envolvida na interpretação de sinais sociais negativos – e consequentemente atenua a reação emocional a “caras feias” ou expressões que possam provocar medo.

Tal mecanismo do MDMA é compatível com seus relatos de reduções no comportamento defensivo ou medo de dano emocional, assim tendo potencial no tratamento do autismo.

Fonte: Tripby



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