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Cientistas Descobriram Um Remédio Simples Capaz de Matar as Superbactérias

Um tratamento de mil anos de idade, usado na Idade Média para combater infecções nos olhos, pode ser a chave para acabar com as superbactérias resistentes a antibióticos, de acordo com pesquisadores da Universidade de Nottingham, na Grã-Bretanha.

Mesmo na era da Aids, da gripe aviária e do Ebola, a bactéria Staphylococcus aureus resistente à meticilina, melhor conhecida como SARM, é aterrorizante. Ela, que é resistente aos antibióticos convencionais, suporta até mesmo as armas mais mortais que a medicina oferece.

O Centro de Controle de doenças e Prevenção estima que a SARM contribuiu com a morte de mais de 5000 pessoas nos Estados Unidos em 2013, e que eventualmente poderá matar mais que o câncer.

Pesquisadores da Inglaterra agora divulgaram que a superbactéria provavelmente é vulnerável a um antigo remédio. Os ingredientes? Somente um pouco de alho, alguma cebola ou alho-poró, vinho e oxgall - um nome sofisticado para bílis de boi.

Os pesquisadores se surpreenderam ao descobrir que este antigo remédio exterminou quase que completamente em até 90%, o Staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM).

Ele foi descrito em um antigo manuscrito anglo-saxão com instruções sobre tratamentos e bálsamos, o "Bald's Leechbook", tido como um dos primeiros exemplos de "livro medicinal".

A especialista em cultura anglo-saxônica Christina Lee, da Universidade de Nottingham, traduziu a receita de um "bálsamo para os olhos, feito com alho, cebola ou alho-poró, vinho e bile de vaca.

"Escolhemos esta receita porque ela contém ingredientes, como o alho, que está sendo investigado pelos cientistas do presente por sua potencial eficácia em tratamentos com antibióticos", disse a especialista, que assim, teve a idéia de provar cientificamente o seu efeito.

Receita detalhada

A receita descreve uma forma muito específica de se obter o bálsamo, que inclui a utilização de uma vasilha de metal para ferver a mistura em água e deixar descansando durante nove dias.

Os pesquisadores provaram todos os ingredientes frescos separadamente, assim como o remédio em seu conjunto, e também uma solução de controle, sem os componentes vegetais.

O remédio resultante da receita medieval exterminou até 90% de bactérias cultivadas em laboratório, tanto em feridas sintéticas como em feridas reais infectadas em ratos.

Os pesquisadores esperavam uma certa atividade antibiótica, mas ficaram espantados ao ver a eficácia da combinação dos ingredientes.

Os cientistas diluíram a mistura para testar a dosagem ideal contra uma infecção real em uma pessoa.

Eles concluíram que, quando muito diluído, o remédio não consegue interferir na comunicação celular da bactéria, e esta é uma "conclusão chave", já que as células precisam se comunicar para ativar os genes que permitem que elas causem danos nos tecidos infectados. E os microbiologistas acreditam que bloquear esta comunicação seria uma forma alternativa de tratar infecções.

As conclusões da equipe de pesquisadores serão apresentadas na Conferência Anual da Sociedade de Microbiologia Geral em Birmingham.

"Nós acreditamos que as pesquisas modernas em doenças podem se beneficiar de respostas e de conhecimentos do passado, que está em grande parte contida nos escritos não científicos", disse Lee. "Parece que os povos medievais puseram em prática algo bem próximo dos métodos científicos modernos, com ênfase na observação e na experimentação".

Lee afirma que a comprovação da eficácia do bálsamo em combater as superbactérias demonstra que as pessoas que viveram na era medieval não eram tão primitivas como pensávamos. Mesmo há 1000 anos atrás, quando alguns ficavam doentes, outros tentavam resolver e ajudar.

Lee disse que os pesquisadores esperam voltar-se para outros remédios do Bald's Leechbook - incluindo supostas curas para dor de cabeça e úlceras - para ver o que a sabedoria dos antigos tem a nos oferecer.

Fonte: Washington Post



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