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Câncer de Tireoide é Excessivamente Diagnosticado em Meio Milhão de Pacientes

Uma grande fração de casos de câncer de tireoide representa um "excesso de diagnóstico", e no mínimo meio milhão de pacientes, em sua maioria mulheres, podem ter sido submetidos a cirurgias e outros tratamentos para câncer desnecessários, dizem os pesquisadores da International Agency for Research on Cancer (IARC), em Lyon, França.

O alerta sobre uma epidemia de excesso de diagnósticos de câncer de tireoide veio de uma análise de dados de registros de câncer de 12 países publicada em 17 de agosto no New England Journal of Medicine.

Salvatore Vaccarella e colaboradores da IARC estimam que mais de 470.000 mulheres e 90.000 homens podem ter sido diagnosticados excessivamente com câncer de tireoide em 12 países de "alta renda" (Austrália, Dinamarca, Inglaterra, Finlândia, França, Itália, Japão, Noruega, República da Coreia, Escócia, Suécia e Estados Unidos) de 1987 a 2007.

A maioria desses cânceres de tireoide eram carcinomas papilares pequenos e de baixo risco, observam. A "grande maioria" desses pacientes foi submetida a tireoidectomia total, e uma "alta proporção" também recebeu dissecção de linfonodos cervicais e radioterapia, mas essas intervenções não têm "benefício provado em termos de aumento da sobrevida", apontam os pesquisadores.

"Nós não sabemos se essa tendência continuou, visto que os dados após 2007 não estavam disponíveis", comentam os pesquisadores. "No entanto, se nós tomarmos o período disponível mais recente, 2003 – 2007, como a prática atual típica, estimamos que o diagnóstico excessivo em mulheres corresponde a 90% dos casos de câncer de tireoide na Coreia do Sul; 70% a 80% nos Estados Unidos, Itália, França e Austrália; e 50% no Japão, países nórdicos e Inglaterra e Escócia".

O excesso de diagnóstico ocorre a partir do aumento da vigilância médica e da introdução de novas técnicas diagnósticas, como a ultrassonografia de pescoço (desde os anos 1980) e, mais recentemente, dos exames de tomografia e ressonância.

Essa nova tecnologia levou à detecção de um grande número de doenças indolentes e não letais que existem em abundância na glândula tireoide de pessoas saudáveis com qualquer idade, comentam os pesquisadores, acrescentando que a maioria desses tumores muito pouco provavelmente causariam sintomas ou morte.

"Países como os EUA, Itália e França têm sido os mais gravemente afetados pelo excesso de diagnóstico de câncer de tireoide desde a década de 1980, depois da introdução da ultrassonografia, mas o exemplo mais recente e notável é o da República da Coreia", comentou Vaccarella em uma declaração.

"Poucos anos depois da ultrassonografia de glândula tireoide começar a ser amplamente oferecida no contexto de uma triagem de base populacional para múltiplos cânceres, o câncer de tireoide se tornou a neoplasia mais comumente diagnosticada em mulheres na República da Coreia, com uma estimativa de aproximadamente 90% dos casos em 2003 – 2007 sendo de diagnóstico excessivo".

O diretor da IARC, Christopher Wild, acrescentou: "O aumento drástico no excesso de diagnósticos e tratamentos de câncer de tireoide já é uma grande preocupação em saúde pública em muitos países de alta renda, com sinais preocupantes da mesma tendência em países de baixa e média renda. Dessa forma, é crítico obter mais evidências em pesquisas para avaliar a melhor abordagem da epidemiologia do câncer de tireoide e evitar danos desnecessários aos pacientes".

A maioria dos pacientes está recebendo um tratamento que não os beneficia e que os sujeita a riscos de prejuízo da voz, hipoparatireoidismo permanente, assim como os riscos do tratamento com iodo radioativo.

Fonte: Medscape



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