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Brasileira Ganha Maior Prêmio Internacional por Testes SEM Animais

Uma pesquisadora brasileira ganhou o prêmio Lush, a maior premiação internacional para iniciativas alternativas aos testes em animais. Bianca Marigliani, doutoranda em biotecnologia pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), foi escolhida na categoria jovem pesquisador e vai levar 10 mil libras para estudar um novo tipo de método in vitro, totalmente sem uso de animais no processo, para avaliar o risco de alergia provocado por agentes químicos.

Neste ano, a empresa britânica de cosméticos e a Ethical Consumer distribuíram 450 mil libras em prêmios, um recorde. Desde 2012, são recompensados trabalhos nas áreas de ciência, treinamento, conscientização pública, lobby regulatório e jovem pesquisador. Também saiu pela primeira vez o prêmio da caixa preta, para uma descoberta considerada essencial na área: o mapeamento total de como um químico tóxico leva a uma reação alérgica da pele.

Os jurados, de diversos países e diferentes áreas de atuação, consideraram que o trabalho desenvolvido pela brasileira deu um passo além na questão do uso de animais em experimentos, pois levantou uma questão nova até para cientistas e ativistas acostumados com o tema.

Marigliani trabalha para adaptar células a um meio de cultivo sintético, ou seja, sem soro bovino fetal. A maioria dos testes in vitro usa pelo menos este elemento de origem animal, tirado do sangue de fetos vivos por punção cardíaca sem anestesia, algo considerado cruel.

Segundo ela, até 2 milhões de fetos bovinos são usados por ano para obter o soro.

Você sabe o que é soro fetal bovino [SFB] e qual a sua conexão com as indústrias?
Quando vacas prenhes são enviadas ao abatedouro, além do trauma de ainda estar vivo dentro da sua mãe durante seus últimos momentos, fetos de bezerros também são cortados dos úteros de suas mães ainda em vida, para que seu sangue possa ser drenado e usado na ciência, sem anestesia.
Depois do abatimento e sangramento da vaca no matadouro, o útero da mãe contendo o feto é removido durante o processo de evisceração, e transferido para a sala de coleta de sangue. Uma agulha é então inserida entre as costelas do feto diretamente no seu coração, e o sangue é drenado para uma bolsa esterilizada. Este processo visa minimizar os riscos de contaminação do soro com micro-organismos do feto ou do ambiente. Apenas fetos com mais de 3 meses são usados, caso contrário o coração será pequeno demais para se fazer a punção.
O coração do feto bovino estará funcionando durante o processo de sangramento através da punção cardíaca […] O coração do feto tem que estar batendo a fim de se obter uma coleta adequada do soro fetal bovino produzido através da punção cardíaca. O sangue coagulará imediatamente após a morte.
Poderia se pensar que o feto morre aproximadamente junto com a sua mãe devido à falta de oxigênio. No entanto, sabe-se que neonatos e fetos de animais são muito resistentes à hipóxia/Anóxia […]
O fato de o coração do feto ainda estar funcionando durante a punção cardíaca, indica que ele ainda está vivo, e portanto, pode experimentar dor por causa da agulha inserida em seu coração, bem como por causa do sangramento terminal. Como o feto nunca é anestesiado ou atordoado previamente à realização de uma punção cardíaca para obtenção do SFB, pode se afirmar que o método descrito acima representa um problema ético merecedor de séria consideração.

"Além de ser antiético, o soro usado para cultivo de células apresenta problemas técnicos, por exemplo, risco de contaminação. Já temos meios sintéticos disponíveis, que, embora sejam mais caros, podem substituir os métodos tradicionais. Já temos mão de obra qualificada, só precisa treinamento", explica a bióloga.

O avanço dos testes in vitro é primordial para aqueles que defendem o fim dos testes com animais, por isso a importância de premiar pesquisas na área. Para eles, é possível substituir em larga escala os animais por uma bateria de testes no nível celular ou em humanos voluntários, embora parte dos cientistas discorde.

"Sempre há dois lados: existem aqueles que estão abertos às invocações e os que preferem continuar usando os métodos que sempre usaram. Mas quando as pessoas entendem os métodos alternativos in vitro e os avanços da ciência, elas percebem que eles são melhores não só em relação aos animais, mas tecnicamente, na segurança dos produtos para uso humano. Células humanas respondem diferente de animais", ressalta Marigliani.

Calcula-se que 115 milhões de animais sejam testados por ano no mundo. A União Europeia aprovou em 2009 uma legislação que proíbe testes de cosméticos em animais. Em 2014, São Paulo foi o primeiro Estado brasileiro aprovar lei parecida, após a polêmica do caso Royal.

Segundo Rob Harrison, diretor do prêmio Lush, a ciência molecular avançada, com a evolução da genética e da computação, já pode substituir os testes em animais, considerados pelos ativistas pouco confiáveis. "Modelos 3D de cultura e sistemas de "corpo-em-um-chip" (método que implanta células humanas em chips) são apenas alguns dos projetos vibrantes que estamos recompensando neste ano", diz.

Segundo o FDA, a agência federal americana que controla alimentos e remédios, 9 em cada 10 drogas testadas em animais falham com pessoas. O caso mais famoso de teste em animais que não deu certo é o da talidomida.

Fonte: Notícias Uol



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