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Bactérias Intestinais podem Prever Asma em Crianças

Fraldas sujas são mais improváveis do que bola de cristal, mas elas poderiam ter a resposta do por que de algumas crianças desenvolverem asma. Apenas quatro tipos de bactérias intestinais nas fezes parecem fazer a diferença, quando a questão é prever quem vai ter a doença e quem não vai, dizem os pesquisadores.

A descoberta pode ajudar a identificar as crianças com risco elevado de asma e pode levar ao desenvolvimento de misturas probióticas que impeçam a doença.

O novo estudo “coloca um monte de observações epidemiológicas ao longo dos anos em uma nova perspectiva”, diz a pesquisadora de asma, Marsha Wills-Karp, da Escola Johns Hopkins Bloomberg de Saúde Pública, em Baltimore – EUA, que não estava envolvida neste recente estudo.

Durante a última década, um crescente corpo de pesquisadores têm valorizado a forma como o microbiota – a coleção de bactérias e vírus que vivem no corpo humano – molda a saúde das pessoas.

E estudos têm sugerido que as diferenças entre a microbiota de jovens bebês, causadas por métodos de natalidade, dieta, ambiente e a exposição a antibióticos, podem afetar as suas chances de desenvolver doenças como asma e alergias.

“Existem todos estes sinais para indicar que a microbiota pode estar envolvida na asma, mas não haviam experimentos para provar isso”, diz o microbiologista Brett Finlay, da Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), Vancouver, no Canadá, um autor sênior no artigo.

Como parte do estudo do Desenvolvimento Longitudinal da Saúde Infantil Canadense (CHILD), Finlay e seus colegas coletaram amostras de fezes e urina de mais de 300 bebês que tinham entre 3 meses e 1 ano de idade, bem como informações sobre a sua saúde em 1, 3 e 5 anos . Em seguida, utilizaram sequenciamento genético de alto rendimento para detectar níveis de bactérias do intestino em cada amostra de fezes.

Os bebês que tinham níveis baixos ou indetectáveis de quatro bactériasLachnospira, Veillonella, Faecalibacterium, e Rothiaaos 3 meses de idade passaram a mostrar os primeiros sinais de asma – chiado e alergias na pele – com 1 ano de idade. Os bebês que não desenvolveram estes sintomas, invariavelmente, tinham níveis elevados das quatro bactérias em suas amostras de fezes, quando tinham 3 meses de idade.

Além das diferenças em bactérias nas fezes, a equipe encontrou diferenças na urina dos bebês que passaram a desenvolver asma. Certos subprodutos de bactérias foram encontrados em níveis inferiores ou superiores, sugerindo que estes produtos químicos – produzidos no intestino, mas distribuídos em todo o corpo – poderiam atuar sobre o sistema imune para torná-lo mais susceptível à doença.

Em seguida, o grupo de Finlay usou amostras de fezes das crianças de 3 meses propensas a asma para colonizar os intestinos de camundongos que tinham sido criados em um ambiente livre de bactérias. Os animais passaram a desenvolver inflamações pulmonares, indicativos de asma. Mas se os pesquisadores adicionassem uma mistura com as 4 bactérias que faltavam para o trato digestivo dos camundongos, juntamente com as fezes, os camundongos já não tinham um risco aumentado de desenvolver asma, como relataram os cientistas na revista Science Translational Medicine.

A descoberta tem uma aplicação imediata: identificação de crianças com alto risco de asma em seus primeiros 100 dias de vida, diz Stuart Turvey, pediatra da UBC Vancouver, um co-autor do artigo.

“Essas crianças poderiam ser acompanhadas ou tratadas mais rapidamente, acabando com a asma”, acrescenta. Mas também sugere que o fornecimento deste grupo com a mistura única de quatro bactérias – uma combinação não encontrada em probióticos comerciais atuais – poderia prevenir o aparecimento da asma.

Porém o desenvolvimento da terapêutica será mais difícil do que apenas misturar as bactérias em forma de pílula, diz Wills-Karp, porque os bebês já possuem intestinos que estão cheios de outras bactérias. Estes “primeiros colonos” podem impedir que novas cepas possam assumir com facilidade. E um outro estudo sugeriu diferentes bactérias como protetoras. “Não está claro agora que há maneiras de induzir o crescimento dessas bactérias específicas em crianças”, diz ela. “Mas certamente começa a abrir a porta para essa possibilidade.”

A equipe de Finlay e Turvey continua a acompanhar a saúde do primeiro grupo de crianças, estudando quem pode desenvolver verdadeiramente a asma – até agora, mais de um terço dos que desenvolveram os primeiros sinais da doença tem a versão madura.

Além disto – uma vez que a microbiota de pessoas em várias culturas são conhecidas por diferirem – estão repetindo o experimento em um conjunto maior e mais diversificado de crianças, incluindo algumas do Equador, para ver se as quatro cepas de bactérias são universalmente importantes.

Fonte: A Geração Ciência



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