Perca Peso Agora

Acorda! Luta para Ser o Melhor "Rouba" a Felicidade

Não basta ser bom, tem que ser excelente. A “regra” está presente nos discursos que mostram trajetórias de sucesso nas novelas, nas revistas e nas propagandas. É tão falada, que a maioria das pessoas acaba acreditando. Mas essa busca incansável pela excelência pode ser fonte de sofrimento, ansiedade, estresse e até depressão.

Foi essa dinâmica que levou os sociólogos italianos Gloria Origgi e Diego Gambetta a levantarem a hipótese de que, talvez, o caminho para a felicidade more, não na excelência, mas na mediocridade.

Entenda-se por medíocre, neste caso, a raiz dessa palavra de origem latina: mediano, o que está entre o bom e o mau, entre o grande e o pequeno, sem qualquer caráter pejorativo.

“Às vezes, toda essa retórica sobre eficiência é simplesmente insuportável. Às vezes, as pessoas gostam de poder relaxar”, declarou Gloria. Para ela e seu colega Gambetta, não raro essa “economia” nas ações é uma forma de reação à tirania da excelência.

Muitas pessoas, segundo eles, conspiram de forma mais ou menos consciente para alcançar o menor resultado possível – enquanto outras se encaixam no perfil naturalmente.

Esse é o princípio do que eles batizaram de “kakonomia”. “Kakos”, em grego, significa “ruim” ou “mau”. Ou seja, eles elaboraram uma “ciência da mediocridade”. A pesquisa foi feita levando em consideração a realidade acadêmica da Itália, mas alguns correspondentes podem ser encontrados por aqui também.

A estudante Luísa Ribeiro, 17, foi “vítima” da kakonomia. Ela, que mora em uma cidade do interior onde o pai tem uma carreira política, se sente sempre muito cobrada. “As pessoas acham que eu tenho a obrigação de ser super ‘certinha’, ir bem na escola, nunca tirar uma nota baixa”, reclama.

Toda essa expectativa sobre ela teve seu preço. Quando terminou o ensino fundamental, ela fez a prova de seleção para cursar o ensino médio em uma escola federal. “Eu havia estudado o ano inteiro, estava preparada. Mas, na hora da prova, fiquei ansiosa, sentia que tinha a obrigação de passar, e isso me atrapalhou muito. Acabei não passando, e me sentia como se tivesse decepcionado todo mundo”, lembra. Ela cursou o primeiro ano do ensino médio em outra escola e repetiu a prova para o instituto federal. Com menos pressão, foi aprovada.

A verdade, porém, é que não existe uma fórmula única que aponte o caminho definitivo da felicidade.

Segundo a professora Delba Barros, coordenadora do programa de orientação profissional da UFMG, cada pessoa terá a sua própria “fórmula”, desenvolvida de acordo com seus critérios pessoais.

“Não há nenhum problema se a pessoa quiser terminar o pós-doutorado antes dos 30 anos, desejar morar em uma casa maior, ter um carro mais novo, desde que essa seja uma escolha dela, e que ela não se ache melhor que os outros por conta disso".

"Para fugir da tirania da excelência, a pessoa precisa ter consciência de que precisa definir parâmetros próprios, metas para a vida e também ter disponibilidade para fazer planejamentos fora da expectativa social, se essa for a sua vontade”, recomenda a psicóloga.

De acordo com o psicólogo Gustavo Teixeira, mestre em análise do comportamento, a cobrança pela excelência sempre existiu, mas ficou mais forte nas últimas décadas. “As pessoas estão cada vez com um acesso maior à educação, e o mercado ficou mais exigente e mais selecionista. Isso se junta à idealização que as pessoas têm de como sua vida deve ser, e o sofrimento por conta desse ideal se exacerba”, diz.

Nessa idealização, as redes sociais têm papel central. “As pessoas postam ali seus melhores momentos. As redes sociais vendem a ilusão de que todo mundo está super feliz, é amado, tem relacionamentos maravilhosos, foi muito bem sucedido em suas dietas. Mas, às vezes, nenhuma daquelas fotos corresponde totalmente à realidade daquelas pessoas”, diz.

Essa tirania da excelência, para ele, é um sistema cruel, já que só existe um “primeiro lugar” e, obviamente, nem todos irão ocupá-lo.

O que importa mesmo é as pessoas ganharem consciência de quem são e de qual o seu propósito na vida. Se você não está feliz, alguma coisa está errada. E isso serve para tudo, não só para sua profissão: vale para suas relações, para as amizades, todas as escolhas. Pense nisso!

Fonte: O Tempo



Receba Dicas de Saúde Grátis

Tenha uma vida mais saudável com nossas melhores dicas e novidades.

Compartilhar no Facebook