Açaí, Palmito e Cana-de-açúcar: Doença de Chagas Aguda e a Transmissão Alimentar!

A cada ano, são reportados no Brasil de 100 a 150 casos novos de doença de Chagas aguda, e a maioria dos surtos está relacionada à transmissão alimentar. Embora a confirmação do alimento como causa da doença ainda represente um desafio, novas ferramentas começam a modificar esse cenário.

Em um simpósio do 20º Congresso Brasileiro de Infectologia, realizado no Rio de Janeiro, a Dra. Maria Aparecida Shikanai Yasuda, da Universidade de São Paulo (USP), lembrou que já há, por exemplo, métodos baseados em reação em cadeia da polimerase quantitativa em tempo real (qPCR) que permitem detectar a presença do Trypanossoma cruzi em produtos alimentícios como o açaí.

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Mesmo que o número de casos de doença de Chagas tenda a aumentar entre os meses de julho a dezembro, período menos chuvoso, no qual ocorre maior dispersão do vetor (barbeiro), "a expansão do comércio de açaí passou a exigir vigilância o ano inteiro", disse a Dra. Maria Aparecida.

Também é necessário atenção com outros alimentos, por exemplo, bacaba (fruto similar ao açaí, de uma palmeira nativa da Amazônia), palmito e cana-de-açúcar, pois, uma vez contaminados com o parasita ou fezes dele, ou com secreções infectadas de marsupiais, também podem transmitir a doença.

Na Colômbia e na Venezuela já foram registrados surtos relacionados ao consumo de suco de goiaba, laranja e tangerina contaminados.

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De acordo com a médica, "hoje em dia, a transmissão oral da doença de Chagas em surtos é uma realidade em toda a América Latina, e não necessariamente em áreas endêmicas".

Características da transmissão oral

Considera-se um caso suspeito de transmissão oral quando há manifestações clínicas (edema de face ou de membros, exantema, adenomegalia, hepatomegalia, esplenomegalia, cardiopatia aguda, manifestações hemorrágicas, icterícia, sinal de Romaña ou chagoma de inoculação), e ausência de outras formas prováveis de transmissão.

A confirmação por exame parasitológico direto, com provável ausência de outras formas de transmissão, e a ocorrência simultânea de mais de um caso com vinculação epidemiológica configura caso como possível transmissão oral.

Quando, além da confirmação por exame parasitológico direto, é possível excluir as outras vias de transmissão e determinar a evidência epidemiológica de um alimento como fonte de transmissão, trata-se então de caso confirmado de transmissão oral.

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O período de incubação na transmissão oral é de 3 a 22 dias, maior, portanto, que o da transmissão vetorial (quatro a 15 dias), mas inferior ao da transmissão pelo sangue (30 a 112 dias).

Um estudo in vitro com polpa de açaí demonstrou que o T. cruzi pode sobreviver e reter sua virulência nesse alimento sob várias condições, e o resfriamento e o congelamento não são estratégias adequadas para prevenir doença de Chagas aguda alimentar. Já o aquecimento da polpa de açaí acima de 43° C durante 20 minutos se mostrou, em pesquisa in vitro, uma medida eficaz para prevenir a transmissão da enfermidade.

Mulheres em idade fértil

Um dos principais problemas associados aos surtos de doença de Chagas de transmissão oral é, segundo a Dra. Maria Aparecida, a imprevisibilidade.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que haja entre 8 a 10 milhões de pessoas infectadas com T. cruzi na América Latina, sendo 1,8 milhão mulheres em idade fértil (15 a 44 anos).

Uma revisão sistemática e meta-análise identificou que em 2010 havia 34.629 mulheres grávidas no Brasil infectadas com T. cruzi, e entre 312 e 1.073 bebês nascidos com infecção congênita.

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A transmissão materno-fetal, segundo a Dra. Maria Aparecida, depende de algumas variáveis, entre elas, nível de parasitemia, estado imunológico da mãe, cepa infectante, e fatores placentários. Atualmente, o tratamento de pacientes com doença aguda é baseado na administração de benzonidazol, medicamento incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Portanto, muito cuidado com a ingestão desses alimentos. Compartilhe!

Fonte: Medscape




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